Mudança em aeroportos pode ocorrer em 90 dias

O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Carlos de Almeida Baptista, defendeu nesta sexta-feira a "necessidade urgente" de transferir os vôos dos aeroportos centrais de Congonhas (SP), Pampulha (Belo Horizonte) e Santos Dumont (RJ), para Guarulhos, Confins e Galeão, respectivamente."Não dá para continuar como está. Estes aeroportos estão saturados, e o tráfego precisa ser reduzido", garantiu. O comandante explicou que a mudança não entrará em vigor imediatamente porque as empresas precisam de um prazo para se adaptar à transferência de aeroporto.A minuta da portaria prevê que esse intervalo seja de 90 dias. Baptista anunciou ainda a criação do Centro de Gerenciamento de Navegação Aérea (CGNA), que será o responsável por ordenar o tráfego aéreo. "Toda esta questão é científica, e a entrada de cada novo vôo exige atualização de dados permanente", explicou.O novo centro vai assegurar a eficácia do tráfego aéreo, para que os aviões não esperem para pousar ou decolar.Depois de dizer que esperava críticas das empresas aéreas, o brigadeiro negou que a medida tenha cunho político. "Esta é uma decisão técnica. Não é política."Ele informou que a ação já vinha sendo estudada há algum tempo. "Não podemos deixar que os aviões continuem rodando no céu por 40 minutos, desperdiçando combustível, à espera de uma brecha para pousar."Baptista fez questão de usar o Aeroporto de Congonhas como exemplo de superlotação, conforme foi apontado pelo estudo feito pelo Departamento de Aviação Civil (DAC), pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) e pela Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero).Segundo o brigadeiro, as companhias aéreas não se conformam por estarem operando hoje em Congonhas com 48 slots (autorizações para pouso e decolagem). "Este é o máximo permitido cientificamente naquele aeroporto, sob pena de estressarmos os controladores", comentou o brigadeiro. "As empresas querem aumentar os slots, mas isso não vou permitir", disse Baptista.O comandante da Aeronáutica não concorda com as insinuações feitas por companhias e pilotos, que atribuem os atrasos à necessidade de esperar uma brecha para pousar. "Para nós, o importante é que se dê conforto aos passageiros, que não haja prejuízo para a aviação civil e todos voem com a máxima segurança." De acordo com ele, os passageiros precisam se adaptar às novas necessidades das cidades.

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