Mudança defendida pela esquerda do PT não abala Palocci

A proposta de mudança na política econômica, deflagrada por uma ala do Partido dos Trabalhadores (PT), é considerada por integrantes da equipe econômica do governo como apenas mais um "elemento do debate democrático". As críticas e apresentações de propostas alternativas para a condução da política econômica não têm despertado nenhum tipo de inquietação por parte da equipe do ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Movimentos como o de ontem, quando deputados federais, estaduais e vereadores do PT propuseram "mudanças urgentes" em elementos fundamentais da política econômica, não estão sendo acompanhados de perto, uma vez que o governo parte da análise que esse tipo de debate faz parte da diversidade de opiniões do partido do presidente Lula. Segundo fonte consultada pela Agência Estado, o ministro Palocci é um dos defensores dessa tese. "O ministro considera isso natural", resumiu a fonte. Mas o fato de considerar normal não significa que as propostas defendidas possam ser apreciadas pelo governo. Palocci tem insistido que mudanças como a queda da taxa básica de juros não dependem apenas de vontade política. Essa cautela também é revelada quando o assunto é o sistema de metas de inflação. No seminário realizado ontem em São Paulo, os militantes presentes defenderam a redução rápida da Selic para a casa de um dígito, e a flexibilização da meta de inflação, entre outras medidas.Para a equipe econômica, entretanto, mudanças dessa natureza não seriam benéficas ao País. O correto, numa visão de longo prazo, é manter a política de superávits primários robustos, inflação controlada e queda gradual dos juros, elementos que combinados garantirão, na visão da equipe de Palocci, um período prolongado de crescimento forte e sustentado da economia brasileira.

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