Mudança de contexto

Segundo as pesquisas publicadas no fim de semana, o eleitorado paulistano reavaliou as principais candidaturas e o quadro eleitoral. As perspectivas dos candidatos à prefeitura na cidade mudaram de configuração. Entre a primeira semana de setembro (Datafolha) e este fim de semana (Datafolha e Ibope), as diferenças dos vários indicadores de intenção de voto não escaparam das margens de erro, mas as relações internas dos números foram grandes. O contexto das campanha também mudou.Os resultados parecem paradoxais: Marta Suplicy perde fôlego no momento em que o presidente Lula atinge seu recorde histórico de avaliação positiva, 64% de "ótimo e bom" no Brasil. Seus opositores sofreram revezes na semana: Alckmin enfrentou grave crise no interior de sua campanha e Kassab vê seu principal apoiador, o governador Serra, indicar apoio a Alckmin em badalado jantar tucano. Marta tinha tudo para crescer. Não cresceu, ficou mais vulnerável.É fato que, na cidade de São Paulo, Lula permanece há semanas no patamar de 50% de aprovação, não tão alta como em outras regiões, ainda assim bem acima da votação da candidata do PT, que tem 35% e 37% de intenção de voto, medidos respectivamente no Ibope e Datafolha.A explicação é simples: a avaliação da administração Kassab, agora seu principal adversário, chega também a um ponto alto na cidade e - atenção - com a mesma taxa de Lula, 50% de ótimo e bom, subindo 3 pontos no Ibope e 6 pontos no Datafolha.O eleitor aqui, como em outras cidades, está sendo pragmático, indicando que seu voto tem a ver com resultados locais. Neste ponto voltamos ao que já apontamos várias vezes: o julgamento do eleitor se baseia mais no prognóstico que faz da futura administração, tal como desenhada pelos candidatos (ou pelos que buscam a reeleição) do que nos atributos tradicionais de campanhas eleitorais.Ou seja, o candidato do DEM teve seus ganhos eleitorais lastreados na boa avaliação do seu próprio governo, decantado no horário eleitoral de TV e rádio.Vamos aos números: pela segunda semana consecutiva, foi o único candidato que cresceu no voto estimulado; Marta e Alckmin perderam pontos - ainda que na margem de erro.Segundo o Ibope, Kassab galopa e ganha 10 pontos porcentuais no eleitorado de baixa renda (famílias com rendimento menor do que 5 salários mínimos, 68% dos eleitores). Marta ainda lidera, mas perde pontos neste que é o principal pilar de sua votação. Nas projeções de segundo turno Kassab avança sobre Marta e passa a disputar com ela, assim como Alckmin, em condição de empate. Independente da intenção de voto de candidato contra candidato, o bloco situacionista (Kassab e Alckmin) passa a somar mais votos do que a petista (42% x 35% - Ibope). Desde o início do horário eleitoral, é a primeira vez que esta circunstância se dá. Enfim, foi uma rodada de pesquisa que trouxe grandes novidades, resta ver daqui para frente como vão jogar os nervosos políticos tucanos e democratas e o que vai sobrar para o segundo turno deste conflito esquisito. Tão esquisito para o eleitor que, a despeito do barulho partidário, continua usando, para se orientar, o painel de medidas apresentadas para as difíceis soluções para a cidade. Este referencial também vale para a oposição. A decisão final ainda é imprevisível. *Fátima Pacheco Jordão é socióloga

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