Múcio diz que vai se valer de 'amizade' com PSDB por CPMF

Novo ministro das Relações Institucionais diz que dará continuidade às negociações de Mares Guia por CPMF

Tânia Monteiro e Denise Madueño, do Estadão,

23 de novembro de 2007 | 19h01

O novo ministro das Relações Institucionais, José Múcio (PTB-PE) , disse nesta sexta-feira, 23, que vai se valer "da relação de amizade" com os integrantes do PSDB para conseguir a aprovação da prorrogação da CPMF. Ele também voltou a dizer que dará continuidade ao trabalho de seu antecessor, Walfrido dos Mares Guia. "Vamos tocar a vida. A equipe é a mesma, os problemas são mais do que conhecidos e vou enfrentá-los procurando a ajuda das pessoas e com solidariedade", disse.   O novo presidente do PSDB, Sérgio Guerra, afirmou nesta manhã que "o governo não terá nenhum dos 13 votos de senadores tucanos a favor da CPMF". "O Sérgio é um homem responsável. Conheço a sua competência, a sua inteligência, e tenho certeza que ele vai saber separar o discurso político, o discurso propositivo com um propósito eleitoral, do discurso da construção do País. "   Veja também:    Entenda a cobrança da CPMF Após mensalão mineiro, CPMF expõe divisão tucana Lula deflagra ofensiva com governadores tucanos pela CPMF País precisa ser liderado por quem fala 'bom português', diz FHC   Múcio informou que já telefonou para o líder do DEM no Senado, José Agripino(RN), para informá-lo de suas novas funções para negociar a aprovação da CPMF. "Sempre acho que dá para conversar. Evidentemente que os Democratas têm uma posição mais firmada, nem por isso eu deixei de procurar os amigos dos Democratas.   Múcio foi empossado na tarde desta sexta-feira, 23, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas o ato com a nomeação só deve ser publicado no Diário Oficial desta segunda-feira. Ele disse ainda que, na negociação sobre a CPMF, é preciso "separar questões locais, os interesses, as demandas do governo e da casa, dos riscos de R$ 40 bi bilhões a menos no orçamento". Ele definiu a CPMF como "imprescindível e insubstituível".   O novo ministro ressaltou também que é preciso honrar os compromissos assumidos. "O jogo está sendo jogado e jogado bem. Na verdade, tem de se administrar um trabalho que já vem sendo feito e muito bem feito, precisa dar continuidade às negociações, honrar os compromisso assumidos, manter a palavra nos acordos que foram firmados, para que dê confiança e respaldo para as novas conversas."   José Múcio informou que antes de aceitar o cargo conversou com senadores do PTB e com o presidente do partido, Roberto Jefferson. "Temos uma conversa marcada para a próxima terça-feira, um jantar com a bancada do PTB", informou.   O novo ministro ressaltou que a negociação sobre a CPMF não tem relação com uma eventual absolvição do processo de cassação contra o presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). "Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Isso é um problema do Senado e lamento pelo constrangimento que ele e sua família estão passando, mas não tem absolutamente nada a ver com o problema da CPMF".   Cautela   Ele preferiu adotar um discurso cauteloso ao comentar as negociações com o Senado para que o governo consiga aprovar a prorrogação da CPMF até 2011. "É um clássico. Qualquer erro, qualquer jogada mal jogada pode mudar o resultado pra qualquer dos dois times. Por isso precisa ter habilidade e consciência que todos estão trabalhando para ganhar", disse.   Ao ser indagado se o governo poderia ceder na negociação, ele afirmou: "A negociação tem sido feita pelo ministro Mantega (Guido Mantega, da Fazenda) com os senadores. De maneira que vou apenas ajudar na conversa política, vou tomar ciência na primeira reunião, de manhã sobre as coisas que estão sendo combinadas, nos espaços que foram cedidos e se há alguma margem para se conversar".   José Múcio declarou que CPMF não é uma "questão da questão do governo Lula, é uma questão do Brasil, da necessidade do orçamento, que serve a todos os brasileiros, gostando ou não gostando do governo." Disse que não recebeu novo conselho do presidente para a negociação uma vez que, acrescentou, já vinha participando das conversas com o líder do governo na Câmara.   Reforma tributária   Lula ainda avalia se manterá sua decisão de encaminhar no dia 30, ao Congresso, a proposta de reforma tributária, informou Múcio. Na quinta-feira, durante a reunião do Conselho Político de governo, o senador Francisco Dornelles (PP-RJ) ponderou que seria mais conveniente o governo não apresentar a reforma tributária até que a proposta de prorrogação da CPMF fosse aprovada.   Segundo ele, o governo está com a reforma pronta para ser enviada dia 30, o que já foi dito ao presidente da Casa, presidente Arlindo Chinaglia (PT-SP). Disse ainda que "o governo perdeu" com a exoneração de Walfrido dos Mares Guia. "Ele é um motivador, um grande gerente, mas acho que ele pensou com grandeza, pensou na sua família, para que as coisas não se multiplicassem e a má interpretação desse viés a outros caminhos e teve grandeza também em pensar no governo."   Texto ampliado às 19h49

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