Múcio: Dilma não participou de vazamento sobre FHC

O ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, afirmou hoje que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, "não tem nada a ver" com o vazamento de informações sigilosas sobre o período do governo Fernando Henrique Cardoso, mas classificou o ato como "muito grave". Ele avisou que será publicada no Diário Oficial da União a criação de uma comissão de investigação para apurar o vazamento. "O DO publica a criação de uma comissão de investigação para saber quem maldosamente vazou estas notícias. A idéia não é se fazer dossiê. Mas, evidentemente, o governo tem dados de muitos governos, deste, do anterior, de muitos outros, tem os dados de todas as despesas que estão à disposição da CPI. Mas a idéia não é usar isso como ferramenta para aumentar as distâncias", declarou o ministro.Sobre o fato de a própria Casa Civil ter admitido que este dado vazou de lá mesmo, já que poucos funcionários têm a senha que dá acesso a estes números, o ministro afirmou: "é muito grave, é extremamente grave e por isso mesmo foi criada uma comissão. É um ato de indisciplina. Aliás, esta matéria não interessa a ninguém. Quando estamos à procura da verdade e foi por isso que o Executivo tomou a iniciativa de propor a CPI, é porque interessa a todos que tudo fique esclarecido".O ministro das Relações Institucionais reconheceu que o governo fez um levantamento sobre os gastos sigilosos do governo passado, mas disse que os dados foram pedidos pela oposição na CPI, negando que fosse um dossiê. "Este levantamento existe. Ele foi pedido pela oposição e os números, os dados, as notas e os instrumentos que a CPI pedirem, o governo está disposto a fornecer, sem que isso seja levado como instrumento de manobra política ou de revanchismo", enfatizou.Diante da insistência de que, então, o governo tinha feito este levantamento, que pode ter sido o que vazou, José Múcio justificou que "a CPI pediu informação dos dados dos últimos dez anos, e o governo que está aqui tem os dados, assim como o próximo governo que vier para cá terá os dados, porque os dados ficam aqui". O ministro das Relações Institucionais insistiu que "os dados estão à disposição da CPI, não como instrumento político e para aumentar distância, nem nenhuma ferramenta de acirrar disputa entre governo e oposição, mas para esclarecer os fatos".

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