Múcio defende lei para punir quem faz escuta clandestina

O ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, afirmou ontem que que o governo tem enfrentado problemas com escutas clandestinas e defendeu a votação em caráter de urgência de projeto de lei que estabeleça punição para os responsáveis por esse tipo de ação."Tenho a impressão de que meu telefone é uma rádio comunitária", comparou Múcio, explicando que sabe que outras pessoas podem esta ouvindo suas conversas. "É melhor pensar assim, tomar as precauções e exceder na confiança. Hoje existe o grampo oficial, que é requerido pela Justiça, e o grampo clandestino."Ele disse que o governo tem se preocupado com essas escutas clandestinas. "Isso é um crime, mas ainda não existem sanções para isso", ressaltou o ministro.De acordo com Múcio, esse problema está generalizado. "Sempre digo isso em tom de brincadeira. Não estou dizendo que meu telefone está grampeado. Mas é preciso agir como se estivesse."VARREDURAA preocupação com o uso de grampo telefônico não está apenas no Poder Executivo - há suspeitas também no Legislativo e no Judiciário. Na semana passada, o Supremo Tribunal Federal (STF) resolveu determinar uma varredura em seus telefones em busca escutas clandestinas, mas nada foi detectado.O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) também alegou que estava sendo monitorado pela Polícia Federal, na Operação Satiagraha. Ele disse que não sabia que estava sendo investigado pela PF. Por conta das escutas feitas pelos agentes, o parlamentar teve direito a acesso ao inquérito da operação e mandou seus advogados processarem o delegado federal Protógenes Queiroz, que coordenou as investigações da Satiagraha, alegando vazamento de informações do inquérito.

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