Múcio: crise no PT não trará prejuízo à governabilidade

Ministro negou que o presidente Lula esteja interferindo nas questões ligadas à crise do Senado

Leonencio Nossa, de O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2009 | 11h33

O ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, avaliou há pouco que a crise na bancada do PT no Senado, provocada pelos escândalos envolvendo o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), não trará prejuízo à governabilidade. "Os senadores são maduros. São homens experientes e o PT é um partido que tem responsabilidade com o país", avaliou o ministro, em entrevista após participar de reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), no prédio anexo do Palácio do Planalto.

 

O ministro disse ainda que as atitudes do senador Aloizio Mercadante (PT-SP), um dos que se opuseram à estratégia do governo de apoiar o arquivamento das ações contra Sarney no Conselho de Ética, são naturais. "Essa questão será superada e cada senador sabe de sua responsabilidade", disse. "O senador Aloizio Mercadante é imprescindível ao governo e à democracia. Evidentemente, é um problema do PT. Nós só participamos quando somos convidados", disse.

 

Múcio negou que o presidente Lula esteja interferindo nas questões ligadas à crise do Senado. "O presidente, evidentemente, torce para que o episódio seja superado", completou.

 

O ministro deixou claro na entrevista que agora o esforço do governo é para refazer os estragos na base aliada e garantir um clima, tanto na Câmara quanto no Senado, favorável às votações dos projetos do governo. Ele disse que vai trabalhar para a liberação das emendas individuais e para a aprovação de projetos como o do modelo legal para exploração do pré-sal que o governo espera enviar ao Congresso nas próximas semanas. "Não podemos ser monotemáticos. O pré-sal não é um projeto do governo, mas do país", disse, referindo-se às dificuldades enfrentadas pelo governo no Congresso com a crise.

 

Ao comentar o depoimento da ex-secretária da Receita Federal Lina Maria Vieira na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, nesta semana, Múcio disse que o episódio já foi superado. "Eu considero como um fato menor. As notícias foram menos alardeantes do que na semana passada", disse.

 

Ele também criticou a proposta de parlamentares de convocar a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para prestar esclarecimentos sobre o possível encontro com a ex-secretária da Receita Federal. "Estamos tropeçando em coisas menores. Acho que a gente deveria superar isso e virar essa página", disse Múcio.

 

Sobre a saída da senadora Marina Silva (AC) do PT, Múcio disse lamentar a decisão dela e acrescentou que trata-se de uma decisão pessoal.

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