Múcio assume cargo de olho em votação da CPMF

Futuro ministro afirma ter certeza de que contará com o apoio dos senadores para aprovar a prorrogação da contribuição até 2011

João Domingos, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

23 de novembro de 2007 | 00h00

Na primeira manifestação como ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro (PTB-PE) deixou claro que a tarefa óbvia e imediata é uma só: aprovar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). "É um desafio que já experimentamos na Câmara e, tenho absoluta certeza, os senadores, sensíveis e comprometidos com o desenvolvimento do País, têm consciência de que precisa ser aprovada", disse. O problema, porém, começa no seu próprio partido - a bancada de seis senadores do PTB rompeu ontem com o bloco governista, em decisão unânime, e deve adicionar dificuldades às negociações da CPMF."O que a gente quer é autonomia, é funcionar como uma legenda, é ter direito a indicar os integrantes das comissões e ter voz nas reuniões de líderes", disse o senador Sérgio Zambiasi (RS). Antes, por pertencer ao bloco, o PTB ficava subordinado às decisões da líder do PT, Ideli Salvatti (SC).Foi por causa de uma atitude dela - o afastamento do senador Mozarildo Cavalcanti (RR) da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), depois que ele anunciou voto contrário à prorrogação da CPMF - que se deu o rompimento. O PTB seguirá na base aliada, mas com mais liberdade nas votações.Além do "ato de violência", no dizer de Mozarildo, há outra queixa do partido, de fundo fisiológico. Como o governo precisa de votos para manter o imposto do cheque, a hora de emparedá-lo é agora. Os senadores petebistas se queixam de que só os deputados têm sido contemplados com nomeações para estatais e segundo escalão. Um senador do PTB informou que, à exceção de Mozarildo e de Sérgio Zambiasi (RS), os outros quatro têm reivindicações.FONTANAJá como ministro, Múcio informou, em rápida entrevista no Palácio do Planalto, que o deputado Henrique Fontana (PT-RS) será o novo líder do governo na Câmara. O petista se destacou na defesa do governo, em 2005, na CPI dos Correios.Múcio reiterou que, por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dará continuidade ao trabalho de seu antecessor, principalmente em torno das negociações para a prorrogação da CPMF. "Todos nós vamos nos debruçar como estávamos debruçados."Pelo menos dez parlamentares da bancada petebista assistiram ao comunicado da troca de comando nas Relações Institucionais. O Diário Oficial publicará hoje a demissão de Mares Guia, a pedido - ontem ainda não havia data para a solenidade de posse de Múcio. Havia dúvida se a saída de Mares Guia do cargo de ministro seria apenas um afastamento temporário ou uma exoneração. FRASEJosé Múcio MonteiroLíder do governo na Câmara"Todos nós vamos nos debruçar como estávamos debruçados. Não há solução de continuidade nos trabalhos porque nós já vínhamos acompanhando e ajudando o ministro"

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