MTST ocupa a Paulista por mudanças no Minha Casa Minha Vida

Militantes prometem acampar ao longo da avenida até que o governo federal dê uma resposta sobre mudanças no programa; o Palácio do Planalto não se manifestou

Valmar Hupsel Filho e Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

15 de fevereiro de 2017 | 21h04


São Paulo - Militantes ligados ao Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) se concentraram no final da tarde desta quarta-feira, 15, em frente ao escritório da presidência da República, na Avenida Paulista, em São Paulo, em um protesto contra as recentes mudanças no programa Minha Casa Minha Vida, anunciadas pelo governo na semana passada. O manifesto reúne 30 mil pessoas, segundo os organizadores. A Polícia Militar não estimou a quantidade de manifestantes.

No manifesto de convocação para o ato, o MTST lembra que 84% das pessoas que fazem parte do défcit habitacional do Brasil estão na chamada Faixa 1, com renda familiar de até R$ 1,9 mil, mas foram "esquecidas" pelo governo. "As 600 mil moradias anunciadas por Temer foram para uma outra faixa da população. Aumentaram o limite de crédito do Minha Casa Minha Vida para R$9.000,00, ou seja, transformaram um programa social em programa de crédito imobiliário para financiar casa própria para setores que não são os mais necessitados, que não são os sem-teto e não são aqueles que mais precisam de moradia no Brasil", diz o texto.

Sob gritos de "fora Temer, o ato na Avenida Paulista foi o ponto final de marchas organizadas nesta quarta-feira pelo MTST em dois pontos da capital paulista. Um grupo que se reuniu no Largo da Batata, na zona Oeste, se encontrou na Paulista com outro que seguiu da Praça da República, no Centro. Além de São Paulo, a manifestaão acontece em outros quatro estados, afirmou o coordenador do MTST, Guilherme Boulos.

Segundo ele, o programa Minha Casa Minha Vida tem diversos problemas, mas o principal deles atinge a Faixa 1. "É exatamente esta faixa, a mais necessitada, a que não consegue pagar o aluguel, que está parada. O governo Temer quer fortalecer outra linha, a que ganha até R$ 9 mil e transformar o programa em balcão de imobiliária para financiar casas para a classe média em detrimento de quem mais precisa", disse.

Em discurso no alto de um carro de som, Boulos, convocou os militantes a acamparem na avenida caso o governo não dê uma resposta às reivindicações. "No ano passado um grupo que apoiou o golpe ficou acampado a poucos metros daqui, em frente à Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e foram bem tratados pela polícia. Não há motivo, portanto, para que sejamos desrespeitados. Não vamos sair da Paulista enquanto o governo não nos der uma resposta. Ou o governo recua ou vamos permanecer na Paulista", disse. Já há barracas armadas na avenida.

Procurado, o Palácio do Planalto não se manifestou.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.