MTL fecha Incra no Recife e pede saída da superintendente

Cerca de 200 integrantes do Movimento Trabalho Terra e Liberdade (MTL) fecharam nesta terça-feira a sede do Incra, na Avenida Rosa e Silva, no Recife. Eles haviam pernoitado no prédio e pela manhã impediram a superintendente Maria de Oliveira e os funcionários do órgão de entrarem para trabalhar. Depois de tentar negociar com os manifestantes, sem sucesso, Maria de Oliveira dispensou os funcionários e entrou com uma ação de reintegração de posse do órgão."É uma situação complicada (o pedido de reintegração) para o meu currículo, mas não me deram outra alternativa", afirmou a superintendente, ex-ouvidora agrária nacional e vice-presidente da Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo. Na sua avaliação, a mobilização do MTL é puramente política e tem como pano de fundo briga por cargos. Ela é filiada ao PSB e avalia que o MTL age em conjunto com a tendência Democracia Socialista (DS) do PT - a mesma do ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel (PT-RS).O presidente do diretório municipal do PT e integrante da tendência Democracia Socialista, Oscar Barreto, negou disputa por cargos e disse que Maria de Oliveira quer "estigmatizar" o MTL para fugir da sua responsabilidade como gestora. Desvio de verba"Fora Maria de Oliveira" era uma das reivindicações estampadas em faixas espalhadas na sede do Incra pelos manifestantes, que só aceitavam negociar sua pauta de reivindicações diretamente com o ministério do Desenvolvimento Agrário e o Incra nacional.Coordenador nacional do MTL, Róbson Brandão, justificou que desde 2003, quando Maria de Oliveira assumiu o Incra no Recife, o movimento não teve nenhuma reivindicação atendida. "Ela usa o aparelho policial do Estado para reprimir uma ação legítima pela qual ela é responsável, devido à sua inoperância e incompetência em responder nossa pauta". A superintendente rebate. "A maior reclamação do MTL é a liberação de recursos para convênio de assistência técnica", assegurou. Segundo ela, desde que assumiu o cargo, já havia proibição da Justiça Federal para a realização de qualquer convênio com a entidade representada pelo MTL por denúncia de desvio de dinheiro, num processo que não avançou, e ainda tramita na justiça. "Tenho minha consciência tranqüila", afirmou, ao lembrar que o Incra em Pernambuco cumpriu metas, tem equipe, conhecimento e conseguiu o melhor preço de terra no País. "Dentro do possível Pernambuco está bem na foto", acrescentou, ao frisar não ter nenhum receio de falar o que acha e mesmo de fazer críticas à reforma agrária, "porque temos conhecimento real, acumulamos bagagem suficiente".A mobilização do MTL teve início na segunda, quando chegaram a bloquear a movimentada Avenida Rosa e Silva, provocando engarrafamento por toda a área. Maria de Oliveira antecipou que não iria despejar os trabalhadores no final do dia, mesmo que a justiça concedesse liminar. Os trabalhadores do MTL não pretendiam deixar o local e as lideranças providenciaram reforço de alimentos. "Viemos aqui para resolver nossa questão", garantiu Brandão. Por sua vez, Maria de Oliveira afirmou que na quarta-feira entrará no Incra para trabalhar.MSTEm comunicado, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) informou ter realizado duas ocupações dentro da jornada nacional de luta pela reforma agrária. As invasões ocorreram na segunda-feira - nas fazendas Murici, no município de Bonito e Açucena, em Jataúba, ambos no agreste. De acordo com o movimento, 400 famílias participaram das duas ocupações. O MST estadual promete a mobilização de cinco mil trabalhadores neste mês de abril em ocupações e mobilizações para protestar contra a lentidão da reforma agrária e a impunidade de crimes cometidos "pelo latifúndio e pelo agronegócio".

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