MST volta a atacar fazenda no Pará

A polícia do Pará abriu inquérito para apurar novo ataque de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) à fazenda Peruano, localizada em Eldorado dos Carajás, no sudeste do Pará. A área, pertencente à família Mutran, teve parte da sede queimada na terça-feira. Durante a ação de 150 lavradores sem-terra ligados ao movimento, quatro bois foram mortos. Com medo de morrer, empregados da fazenda fugiram, comunicando o fato na delegacia de Parauapebas. A depredação foi uma resposta do MST à reintegração de posse de mais de vinte fazendas na região pela tropa da Polícia Militar, que cumpre decisão da Vara Agrária de Marabá. Em março passado, a sede da propriedade já havia sido invadida, saqueada e queimada por invasores do MST que ocupavam os fundos da fazenda. Os líderes do movimento tiveram a prisão preventiva decretada pela justiça. Um laboratório de genética animal e três tratores foram destruídos e os móveis saqueados. O pecuarista Evandro Mutran acusa o MST de matar um boi da raça nelore avaliado em R$ 1,5 milhão. O movimento diz que parte da fazenda foi "grilada" pelo Estado e exige a desapropriação da fazenda para assentar mais de 600 famílias. Mutran pediu a seus advogados para ingressarem com nova ação por danos materiais contra o MST. Em resposta, o movimento se diz disposto em manter as invasões em terras dos Mutran, maiores latifundiários da região. Ele avalia em mais de R$ 5 milhões seus prejuízos com as constantes depredações da fazenda promovidas pelo movimento. O líder do MST, Alberto Lima, o Tim Maia, é apontado por empregados da fazenda e por policiais como o maior incentivador dos ataques. Ele foi preso em março, durante o despejo de sem-terra de várias fazendas. Para Lima, a família Mutran exerce seu poder sobre a polícia do Pará e tem acusações de prática de trabalho escravo. O MST diz que os Mutran são os que mais resistem à implantação da reforma agrária no sul paraense.

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