MST vai poupar Lula e atacar Alckmin em protesto

As lideranças do Movimento dos Sem-Terra (MST) no Pontal do Paranapanema vão poupar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos atos de protestos que realizam nesta terça-feira em Presidente Prudente, no oeste de São Paulo. O principal alvo das manifestações será o governador Geraldo Alckmin (PSDB) que, segundo eles, pretende "fechar a porteira" da região para os sem-terra.Cerca de 1.700 militantes, divididos em dois grupos, acamparam nesta segunda nas imediações da cidade, após cinco dias de marcha em estradas do Pontal. As colunas se juntam pela manhã e seguem em passeata até a praça central para um ato público. A Polícia Militar anunciou um reforço no policiamento.Segundo o coordenador regional Paulo Costa Albuquerque, integrante da direção estadual do movimento, o governo Lula será cobrado, mas de forma "positiva", pois é um aliado histórico da reforma agrária. Segundo ele, embora ainda faltem mecanismos práticos para acelerar o processo, o governo Lula tem demonstrado seu compromisso com os sem-terra, o que não ocorre com Alckmin.Para o coordenador do MST, a lei do governador que legitima as áreas com até 500 hectares abre um precedente para a regularização das áreas maiores. "O governo está estimulando o agronegócio da soja na região, uma cultura que não gera empregos e nada oferece do ponto de vista social", disse.De acordo com o líder, o Pontal é uma região de terras devolutas, onde o Governo do Estado, em parceria com a União, poderia assentar 40 mil famílias. "Mas o que faz é entregar as terras para os latifundiários. A prova do desinteresse do Estado é que nos últimos três anos não houve assentamentos na região." Segundo ele, os R$ 36 milhões que o governo federal repassou no ano passado para a reforma agrária em São Paulo foram devolvidos por falta de uso.

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