MST vai esperar reforma agrária ´dentro das fazendas" no Pontal

A prática de distribuir o comando entre os vários acampamentos, permitindo ações isoladas, deixará de ser usada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), no Pontal do Paranapanema. As invasões serão definidas pela coordenação regional e executadas com um grande contingente de militantes recrutados em todos os acampamentos. O coordenador estadual Laércio Barbosa disse que a nova estratégia do MST é reduzir o número de militantes acampados em beira de estradas. O movimento tem 2.400 famílias distribuidas entre 12 acampamentos. "Se temos de esperar a reforma agrária, vamos esperar dentro das fazendas." Hoje, os 1.500 sem-terra continuavam montando barracos na área pertencente à empresa Duke Energy, responsável pela geração de energia no rio Paranapanema. Eles ocupavam também uma área com lavoura de sorgo da fazenda, que tem 2 mil hectares. A plantação foi transformada em estacionamento para os carros e o trator com a carreta-tanque que abastece os acampados. A lavoura pertence a dois arrendatários da fazenda. A estratégia do MST era montar o acampamento no terreno da empresa de energia para pressionar os donos da São Domingos, sem que ficasse caracterizada a invasão dessa propriedade. O advogado Coraldino Vendramini, que representa os arrendatários, disse que houve o esbulho possessório, agravado pela destruição parcial da lavoura. Os sem-terra ocupam uma faixa da área cultivada e instalaram uma cancela na estrada de acesso. Vendramini vai entrar na segunda-feira com o pedido de reintegração de posse no Fórum de Pirapozinho. A Duke Energy também deve ir à Justiça para pedir a desocupação da área de segurança. A diretoria, em São Paulo, analisava o caso a partir das informações passadas pela gerência da Taquaruçu.

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