MST será retirado de terreno da Sabesp, diz Alckmin

O governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse que os integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) serão retirados do terreno da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), invadido ontem no km 27 da Rodovia Anhangüera. O governador e candidato à reeleição pelo PSDB disse, por meio de sua assessoria, que ele mesmo entrará amanhã com o pedido de reintegração de posse do terreno. A área invadida se estende por 250 hectares entre os municípios de São Paulo e Caieiras. De acordo com o governador, a área encontra-se em fase final de licitação ambiental e foi comprada exclusivamente para receber todo o lodo das estações de tratamento de esgoto da região metropolitana de São Paulo. Alckmin ressaltou que o terreno é fundamental para todo o saneamento básico da região e que a retirada das 700 famílias que se alojaram na área se faz necessária por uma questão ambiental, e não somente por motivos políticos, já que a Sabesp é de controle estatal. Ele se mostrou indignado com a ação dos trabalhadores sem-terra e diz não concordar com a invasão. "Nunca se fez tanto pela reforma agrária como neste governo. Nos últimos sete anos assentamos mais de seis mil famílias. Temos trabalhado intensamente neste assunto. O que não se pode aceitar é invasões de propriedade públicas", disse o governador. Ele disse que seu governo continuará trabalhando para ampliar a reforma agrária no Estado de São Paulo, mas ponderou que as famílias que serão assentadas vão ser selecionadas. "Não é só assentar famílias. Temos que ver a vocação destas pessoas para trabalhar na terra". Alckmin afirmou ainda que o processo de assentamento de famílias tem de obedecer a alguns critérios que permitam que o trabalhador permaneça fixado ao campo. O secretário-adjunto da Segurança Pública de SP, Marcelo Oliveira, em entrevista, disse que a polícia só está aguardando a Sabesp entrar com uma ação de reintegração de posse e a determinação da Justiça para que os sem-terra sejam retirados do local. Ontem, os dirigentes do MST justificaram a invasão, em nota oficial enviada à imprensa, dizendo que o grupo estava cansado de esperar pela desapropriação de latifúndios improdutivos e, por isso, optou por ocupar "terra pública, improdutiva". Os planos do movimento são de transformar o local, que recebeu o nome de Acampamento Irmã Alberta, em assentamento no modelo "Comuna da Terra", que garante a cada família três hectares de terra perto da cidade.

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