MST sem invasão é como CUT sem greve, diz Stédile

O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, disse que não será entrave ao possível governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas também negou a hipótese ´de trégua´ caso o presidente eleito no domingo seja do PT. "O MST é um movimento social autônomo de governos, partidos e igrejas e tem sua própria lógica de funcionar", defendeu Stédile. "Se vão continuar ou não as ocupações de terra, depende de diversos fatores", disse o líder do MST em entrevista exclusiva à Agência Estado. Mas Lula pode abreviar tudo isso, na esperança de Stédile. O líder do MST comentou que espera ver, num suposto governo Lula, a aceleração do ritmo da reforma agrária, desde que leve em conta "o grau de desespero dos trabalhadores". "Se houver ainda muitas regiões de grandes áreas improdutivas e muitos trabalhadores sem terra, evidentemente haverá ocupações", avisou. Mas ele acha que "num governo popular de Lula, os problemas se desenvolverão de uma forma mais rápida". "Isso não implica acordos (com o PT), nem trégua. Isso não se decide em reuniões", disse Stédile. Ele negou que o MST tenha feito reuniões com o PT.Stédile fez comparações entre o posicionamento do MST e Central Única do Trabalhadores (CUT), ao descartar a parada das invasões de terra, pelo movimento. "É como você imaginar que o presidente da CUT pudesse agora, já que ele é amicíssimo do Lula, dizer: durante o governo Lula, não vai ter greve." O líder dos sem-terra destacou que hoje 60 mil famílias estão acampadas no Brasil. "Temos acampamentos que estão há três anos ´abaixo da lona´. Isto é uma afronta", reclamou. Ele disse que o governo de Fernando Henrique Cardoso eliminou "praticamente a assistência técnica para os assentamentos."Segundo o líder do MST, "em 15 dias, o Incra pode abrir concurso e contratar agrônomos". Sobre alguma participação no governo petista, Stédile foi pragmático e negou qualquer aproximação. "Já tenho problemas que chegam", resumiu o gaúcho que acha que Lula terá problemas demais. "Coitado do Lula. Mas estamos otimistas", disse Stédile. O líder do MST, durante evento de quase uma hora, no Theatro Pedro II, em Ribeirão Preto (SP), comentou que esta deverá ser sua última palestra. "Minha especialidade é falar mal do Fernando Henrique. Acho que a partir de domingo ficarei sem serviço", brincou Stédile.

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