MST se afasta do julgamento de Carajás

A direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) decidiu nesta quinta-feira à noite retirar seus advogados do julgamento de Eldorado dos Carajás, marcado para o próximo dia 18 em Belém.O motivo foi a decisão tomada nesta quarta-feira pela juíza Eva do Amaral Coelho, que presidirá o júri, de rejeitar inclusão no processo do laudo dos peritos da Universidade de Campinas (Unicamp), Ricardo Molina de Figueiredo e Donato Pasqual Júnior.Os dois, depois de analisarem a fita com imagens do episódio gravadas pelo cinegrafista Osvaldo Araújo, concluíram que foram os policiais militares que deram o primeiro tiro no conflito no qual 19 trabalhadores foram mortos em abril de 96. A defesa dos acusados sempre alegou o contrário."As primeiras atitudes da juíza indicam que vai repetir-se a farsa de 1999 (absolvição de três oficiais, posteriormente anulada pelo TJ paraense). Nossa paciência se esgotou. É inadmissível que um massacre dessa proporção, um dos casos mais emblemáticos de violência contra trabalhadores rurais, seja tratado com tanta irrelevância pela justiça.""São cinco anos de impunidade, e a Justiça não consegue punir exemplarmente os envolvidos nessa chacina", afirmam o MST e várias entidades de direitos humanos em nota divulgada.

Agencia Estado,

07 de junho de 2001 | 21h59

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