MST rompe trégua e volta a invadir fazenda no Pontal

Durou 30 dias a trégua dada pelas lideranças do Movimento dos Sem-Terra (MST) no Pontal do Paranapanema, extremo oeste do Estado, depois da seqüência de invasões realizadas durante o "abril vermelho" criado pelo líder nacional João Pedro Stédile. Por volta das 21 horas de quarta-feira, mais de 300 militantes invadiram a fazenda Sul Mineira, da família Chap Chap, em Presidente Epitácio. A propriedade tem 1.000 hectares e é considerada produtiva.Numa ação simultânea, praticamente no mesmo horário, outro grupo do MST voltou a invadir a fazenda Timboré, em Andradina, também no oeste. As ações marcam a retomada das invasões pelo MST em São Paulo, o Estado escolhido pelo movimento para as comemorações dos seus 20 anos de existência. A festa está marcada para o dia 20 deste mês em Itapeva, na região de Sorocaba.O coordenador regional Wesley Mauch disse que não havia trégua. "Só vai haver quando o governo retomar os assentamentos no Estado." Para o presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia, o MST usa táticas de guerrilheiros. "Recua um pouco, depois ataca de novo."ProtestoO Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Mast) vai realizar segunda-feira (14) uma manifestação de protesto contra a prisão do coordenador nacional Lino de Macedo e de três outros militantes, ocorrida quarta-feira à noite, no Pontal do Paranapanema. Eles foram acusados de porte ilegal de arma, furto e formação de quadrilha e tiveram a prisão temporária decretada pelo juiz de Presidente Venceslau, Darci Lopes Beraldo.Os militantes Conrado Magno Reis Borges, Jair Pereira de Souza e Claudinei Aparecido Alves Rodrigues foram filmados portando armas de grande impacto, como espingardas calibre 12, durante a invasão da fazenda São Francisco, em Venceslau, no mês passado.A polícia continuava atrás hoje dos militantes Milton David da Silva, que é vereador em Caiuá, e Francisco Leite dos Santos. Ambos participaram da invasão e também tiveram as prisões decretadas.Macedo foi preso por ser considerado líder e mentor dos sem-terra. A manifestação será na frente da cadeia pública de Venceslau, onde os acusados estão presos, e deve reunir militantes dos 18 acampamentos do Mast na região.

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