MST reocupa engenho Manguinhos

Mulheres cobram desapropriação da terra e denunciam impunidade em morte de sem-terra em 2004

Angela Lacerda, de O Estado de S.Paulo

11 de março de 2009 | 16h12

Sob o comando de mulheres sem-terra, o MST reocupou nesta quarta-feira, 11, pela segunda vez, o Engenho Manguinhos, no município de São José da Coroa Grande, no litoral sul pernambucano. Elas cobram desapropriação da terra, que reivindicam desde 1998, e denunciam a impunidade no caso da morte de Josuel Fernandes da Silva, sem-terra morto em dezembro de 2004, no local, supostamente por seguranças da propriedade.

 

A intenção das mulheres é de permanecerem na área. Elas denunciam que o Incra já fez duas vistorias e até hoje não deu encaminhamento ao processo de desapropriação. A ação faz parte da jornada iniciada pela Via Campesina - que engloba movimentos pela terra - como forma de marcar o dia internacional da mulher, comemorado no domingo.

 

O chefe da Divisão de Obtenção de Terras do Incra, Carlos Eduardo Costa Lopes, considerou que a nova ocupação deverá prejudicar o andamento que visa à desapropriação. Segundo ele, o proprietário terá argumento - com base na Medida Provisória que impede vistoria em terras ocupadas - para se negar a assinar notificação visando a uma nova vistoria da propriedade. Ele confirmou que as vistorias feitas anteriormente indicaram que a terra é improdutiva, mas o Ibama colocou obstáculos à desapropriação.

 

 

Em uma reunião, há 15 dias, na sede do Incra, com o líder estadual do MST, Jaime Amorim, e o superintendente regional do Ibama, João Arnaldo Novaes, ficou acertada a realização de uma nova vistoria no Engenho Manguinhos, que tem área total de 1,2 mil hectares, para se definir exatamente a área de preservação ambiental e os parâmetros para a desapropriação. Na avaliação do Incra, agora a demora visando a uma solução poderá ser ainda maior.

 

Como forma de não sofrerem perseguição, as mulheres invasoras usaram o codinome de "Rosa". De acordo com uma delas, os sem-terra estão cansados. "Há mais de sete anos esperamos debaixo da lona, sem direito a nada". O engenho pertence à Usina Central Barreiros, falida. Outros quatro engenhos da usina foram desapropriados e assentamentos de sem-terra instalados. O Manguinhos ficou pendente pela questão ambiental. Na visão de "Rosa", o que se viu foi "um jogo de empurra-empurra entre o Incra e o Ibama".

 

Sobre a morte de Josuel, "Rosa" destacou que mais de quatro anos depois do assassinato ninguém foi preso. Josuel teria sido arrastado de dentro de sua casa por dois homens encapuzados e levou um tiro na barriga. Fingiu-se de morto e chegou a ser levado ao hospital, mas não resistiu. "Eles matam e nós somos considerados os bandidos", indignou-se a sem-terra.

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