MST reinicia montagem de acampamento no Pontal

Cerca de 280 famílias arregimentadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) começaram a montar barracos nas margens da SPV-029, rodovia vicinal que liga Mirante do Paranapanema a Santo Anastácio, no Pontal do Paranapanema. O plano do movimento é chegar a 400 famílias acampadas no local. É o primeiro acampamento de não militantes que o MST forma este ano na região. As famílias ainda passarão por uma fase de adaptação ao movimento, segundo informou o líder Antonio Carlos Alves de Souza. Os novos acampados serão divididos em grupos e tomarão conhecimento das regras do acampamento. As obrigações incluem participar de marchas, atos e outras ações de luta, como a invasão de fazendas. "Já fizemos reuniões preliminares com eles", afirmou o líder. O coordenador estadual do MST, Paulo Costa Albuquerque, disse que estão previstos outros acampamentos. "Uma das funções do MST é organizar os sem-terra." Segundo ele, tem muito mais sem-terra no Pontal do que imaginam os órgãos do governo. "O problema está na demora do Estado em pôr em prática a reforma agrária e fazer novos assentamentos." As famílias que montavam barracos hoje na estrada de Mirante procedem, na maioria, dessa cidade e do distrito de Costa Machado. "São pessoas que saíram do campo para trabalhar na cidade e não têm emprego", afirmou Souza. Muitas participaram de reuniões com o líder José Rainha Júnior, quase um mito entre os sem-terra. Desde de saiu da prisão, no fim do ano passado, Rainha tem evitado a imprensa - ele ainda responde a processos em Teodoro Sampaio, onde reside - mas seu trabalho de base com os sem-terra não parou. O acampamento ocupa as duas margens da estrada, a cerca de um quilômetro do distrito e a quatro da cidade.

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