MST realiza protestos no MPF e Codevasf

Atos marcaram desocupação das sedes do Incra no Recife e em Petrolina e repudiam criminalização do MST

Angela Lacerda, de O Estado de S.Paulo

25 Julho 2008 | 17h54

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) liderou nesta sexta-feira, 25, um protesto defronte à sede do Ministério Público Federal (MPF), no Recife, contra "o recrudescimento do processo de criminalização dos movimentos sociais". Apoiados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), instituições de direitos humanos e parlamentares, o MST protocolou uma carta de preocupação e repúdio ao MPF.   Veja Também: Galeria: Imagens das invasões do MST    O exemplo do Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul serviu de bandeira. "Querem cassar o movimento (MST) sob o argumento de se tratar de uma organização marxista, que insufla a baderna e a agitação social", indignou-se o deputado federal Fernando Ferro (PT-PE). "Esta é uma linguagem da década de 70, da época da ditadura militar". Para o MST, a ofensiva do Estado contra os movimentos sociais tem se estendido por todo o território nacional, com ataques às lutas populares, aos povos indígenas, às organizações sindicais e ao direito de greve.   O ato no Ministério Público Federal, e um outro na sede da Codevasf, em Petrolina, no sertão do São Francisco, marcou a desocupação das sedes do Incra, no Recife e em Petrolina, onde trabalhadores sem-terra acamparam desde a quarta-feira (23) como parte da jornada nacional de luta pela reforma agrária em torno do dia do trabalhador, comemorado no dia 25 de julho.   Na sede da Codevasf, os sem-terra reforçaram seu protesto contra projeto do governo federal de conceder o uso de terras da União, por 25 anos, a empresas nacionais e estrangeiras para produção de frutas. O MST reivindica estas terras para assentamento de duas mil famílias de trabalhadores sem-terra, defende a agricultura familiar e condena o agronegócio.   A carta protocolada no MPF-PE adotou o padrão utilizado nacionalmente pelos movimentos que a assinaram. Eles pedem desde a garantia de direitos humanos fundamentais - como organização e direito de expressão - à punição de práticas repressoras e autoritárias herdadas da ditadura militar. Reivindicam a extinção da Lei de Segurança Nacional, que as Forças Armadas se mantenham dentro de suas atribuições constitucionais e que a Polícia Federal e polícias militares estaduais atuem dentro dos seus limites legais - "no sentido de assegurar os direitos do povo, o bem-estar e a segurança da população brasileira e não na defesa cega dos interesses do Capital".

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