MST quer desviar atenção das mortes no PE, diz PM

Movimento dos sem-terra acusa PMs de integrarem milícias armadas ilegais no campo

Angela Lacerda, de O Estado de S. Paulo,

27 de fevereiro de 2009 | 18h50

Em nota divulgada nesta sexta-feira, 27, à imprensa, o MST denunciou que dois policiais militares faziam parte da "milícia armada" que "protegia" a Fazenda Consulta, em São Joaquim do Monte, no agreste, onde quatro seguranças foram mortos a tiros por trabalhadores sem-terra na tarde do dia 21. O objetivo do MST, segundo nota da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE) em resposta à acusação, é "retirar a atenção do fato de que integrantes desse movimento participaram de homicídios". Veja também: Sem-terra agiram em legítima defesa no PE, diz MSTEm nota, MST 'repudia' violência na disputa por terra Polícia busca sem-terra suspeitos de chacina em fazenda no PE  Incra visita área de conflito após morte de seguranças  Governo nega proteção especial a acusados do MST "Acusações desprovidas de provas, como estas, servem somente àqueles que buscam tumultuar as investigações", diz a nota assinada pelo assessor de comunicação social, major Leonardo da Silva Tavares que frisa que a Polícia Militar cumpriu pacificamente o nono Mandado de Reintegração de Posse daquela propriedade, por determinação da Justiça, sem registro de nenhuma ocorrência. De acordo com o MST, dois policiais militares, o soldado Gercino João de Oliveira e José Milton da Silva, foram responsáveis por recolher as armas dos pistoleiros (quando a PM foi acionada para evitar conflito durante desapropriação na área) mas também figuram entre os "pistoleiros" contratados para evitar que as famílias sem-terra retornassem para retomar a produção agropecuária iniciada por eles no local desde 2002. A PMPE afirma que apenas Gercino João de Oliveira é policial militar, enquanto José Milton da Silva é um cidadão civil. Informa que os dois são testemunhas da chacina e que ajudaram na prisão dos homicidas - dois sem-terra foram presos e outros dois ainda continuavam foragidos até esta sexta-feira, 27,. Promete, no entanto, fazer uma investigação "como forma de transparência da instituição, e esclarecimentos administrativos". Lembra, ainda, que todos os atos da PM na área são acompanhados pelo Ministério Público do Estado.

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