MST quer classes exclusivas em novo campus da Ufscar

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) quer classes exclusivas para assentados da reforma agrária no curso de agronomia do novo campus que a Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) instalada em Buri, no sudoeste paulista. O pedido foi feito durante reunião ontem de uma comitiva liderada por João Pedro Stédile, da direção nacional do movimento, com o reitor da universidade Targino de Araújo Filho.

JOSÉ MARIA TOMAZELA, Agência Estado

23 de fevereiro de 2011 | 15h57

O curso proposto pelo MST é similar ao que a Ufscar já oferece no campus Sorocaba, em parceria com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), por meio do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera). Em São Carlos, também é oferecido, nos mesmos moldes, o curso de Pedagogia da Terra. A previsão é de que os estudantes de Pedagogia e Agronomia se formem, respectivamente, em 2012 e 2013.

De acordo com o reitor, a universidade tem experiência em cursos como o que foi proposto pelo MST e outros previstos no processo de instalação do campus Lagoa do Sino, que deve funcionar no próximo ano. "Iremos oferecer também cursos de menor duração, como os de extensão, voltados para os produtores rurais da região. Queremos transformar a fazenda numa referência para agricultura familiar e num modelo de desenvolvimento sustentável", disse Araújo Filho.

A criação do campus tornou-se possível a partir da doação de 643 hectares da Fazenda Lagoa do Sino, de propriedade do escritor Raduan Nassar, à Ufscar. Ele assinou a escritura de doação no dia 3 deste mês, em Angatuba, região de Sorocaba. O ministro Fernando Haddad também se comprometeu com a instalação do campus a partir de um protocolo de intenções, assinado no dia 27 de janeiro.

De acordo com Stédile, o novo campus fica próximo de assentamentos com vocação para a agricultura familiar. "Ficamos muito felizes quando soubemos que houve um acordo e que a Ufscar instalaria o campus na área doada pelo Raduan", afirmou. A metodologia proposta para o novo curso, chamada de Pedagogia da Alternância, é a mesma das turmas de São Carlos e Sorocaba.

A partir desse método, as aulas são divididas em tempo-escola e tempo-comunidade. Com isso, os alunos têm aulas presenciais (janeiro, fevereiro e julho), alternadas com períodos em que eles permanecem na comunidade ou assentamento de origem. Stédile propôs que as novas turmas tenham ênfase em agroecologia e sistemas agroflorestais. O encontro teve ainda a participação de Paulo Yoshio Kageyama, docente do Departamento de Ciências Florestais da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP).

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