MST prevê aumento do número de invasões

Um dia depois de encaminhar uma pautamínima de reivindicações ao presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, o Movimentodos Sem-Terra (MST) voltou a fazer ameaças, prevendo até mesmo o aumento do número de famílias acampadas, de 85 mil para 100 mil, até a posse.Pelas previsões de João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do MST, o crescimento se deve à expectativa de que, no novo governo, será mais fácil ganhar um pedaço da terradistribuída na reforma agrária.?Em todas as áreas sociais haverá demanda, inclusive na reforma agrária?, justificou. ?É natural a pessoa querer um pedaço de terra.? O dirigente do MST afirmou que não há condições de dar trégua nas invasões enquanto houverlatifúndios no País, mas defendeu negociações com o futuro governo.?Se o diálogo resolver, as invasões não serão um problema para o governo Lula?, previu. Na suaavaliação, cabe à administração federal e não aos movimentos sociais superar a falta derecursos: ?Isso é um problema que o Lula vai ter de resolver, não nós?.Pela sua avaliação, o R$ 1,8 bilhão previsto no Orçamento da União para a reforma agrária serásuficiente para assentar 100 mil famílias, atender às 350 mil já assentadas e assegurar recursos para o plantio e a assistência técnica às áreas desapropriadas.O coordenador do MST deu entrevista ao final do encontro dos movimentos aliados à Via Campesina, movimento internacional que procura coordenar entidades de sem-terra, trabalhadores rurais e comunidades indígenas.]Oito entidades reivindicam crédito do próximo governo, subsidiados em 75% do valor, juros de 1% ao ano e carência de três anos para pagamento. Segundo a representante do Movimento das MulheresTrabalhadoras Rurais, o dinheiro será aplicado no plantio de subsistência e de comercialização.João Paulo Rodrigues explicou que a apresentação de uma pauta mínima do movimento se deu a pedido do presidente do PT, deputado José Dirceu (SP). Pelas suas previsões, ficará pronta no início de 2003 a proposta completa do movimento,chamado de Plano Nacional de Reforma Agrária.?Nessa segunda fase, esperamos conversar com o ministro da Reforma Agrária oucom o próprio Lula?, afirmou. O dirigente acredita que não haverá mais interesse doMST em invadir a fazenda Córrego da Ponte, da família do presidente Fernando Henrique Cardoso, a partir do momento em que a propriedade deixar de considerada área de proteção especial.Mas ele não descarta que a mesma estratégia venha a ser adotada futuramente com o vice de Luiz Inácio Lula da Silva, José Alencar, dono de fazendas em Minas Gerais. Segundo ele, trata-se de uma estratégia para chamar a atenção.João Paulo disse que a idéia de invasão poderá ocorrer ?não só com autoridades, mas com qualquer pessoa que tenha qualquer quantidade de terra.? Ele advertiu que isso poderá ocorrer se afazenda for improdutiva, se o patrão não respeitar os direitos trabalhistas e se houveragressão ao meio ambiente.

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