MST prepara novas ações para os próximos dias

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) informou neste domingo, em Nova Santa Rita, a 24 quilômetros de Porto Alegre (RS), durante visita do líder camponês francês José Bové ao acampamento Capela, que prepara novas ações para os próximos dias. A intenção do movimento é formar cinco acampamentos no Rio Grande do Sul até o final da primeira quinzena de fevereiro, disse o deputado estadual gaúcho Dionilso Marcon (PT), que tem no MST sua base eleitoral. O objetivo é ocupar áreas à beira de estradas, afirmou Marcon, sem identificar os municípios ou regiões escolhidos. O primeiro dos cinco acampamentos, que espera reunir no total 2.500 famílias, deverá ser formado entre este domingo e a próxima terça-feira. Neste dia, será encerrado o Fórum Social Mundial (FSM), que atraiu milhares de participantes a Porto Alegre para criticar o neoliberalismo e a globalização econômica. O coordenador da Cooperativa de Produtos Agropecuários Nova Santa Rita (Coopan), Émerson Giacomelli, revelou que o MST prepara novas ações ao responder a uma questão formulada por Bové durante a visita que fez ao assentamento com dez integrantes da organização que lidera, a Confederação Camponesa.O agricultor francês perguntou ao colega brasileiro quantos assentados e acampados havia no Estado. Giacomelli respondeu que o número de acampados iria aumentar a partir do final deste mês com as novas ações que o MST está preparando. "Vão passar de quatro mil famílias (acampadas)", contou a Bové. Ele informou que há, atualmente, oito mil assentados no Rio Grande do Sul. Segundo Marcon, que acompanhou a visita de Bové, junto com o deputado federal Adão Pretto (PT-RS) e o secretário estadual da Agricultura, José Hermeto Hoffmann, o objetivo desta ofensiva do MST, que é nacional, é protestar contra a demora no andamento da reforma agrária e o cadastramento de famílias pelo correio, implantado no ano passado. O movimento não concorda com este método de cadastramento.A mobilização dos agricultores contra os transgênicos foi intensa durante o Fórum Social Mundial, tanto em ações quanto em discursos durante as palestras do encontro.No dia 26, Bové participou de um ato em propriedade da multinacional Monsanto, que desenvolve alimentos geneticamente modificados, em Não-Me-Toque (RS), onde foram destruídos dois hectares cultivados com soja e milho. Bové confirmou, após conhecer a lavoura experimental de arroz com piscicultura do assentamento Capela, que a Confederação Camponesa irá participar da mobilização do dia 17 de abril organizada pela Via Campesina, entidade internacional que reúne cem associações de agricultores, contra os transgênicos. Esta data, explicou o ativista francês, foi escolhida como dia mundial de luta pela terra, pois representa o aniversário do massacre de Eldorado do Carajás. O movimento decidiu que o próximo 17 de abril será dedicado ao tema dos transgênicos.

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