MST prepara marchas e invasões para comemorar 25 anos

'Não haverá maneira melhor para comemorarmos do que com lutas', diz comunicado que convoca militantes

José Maria Tomazela, de O Estado de S. Paulo,

02 de janeiro de 2009 | 17h45

O Movimento dos Sem-Terra (MST) prepara uma jornada de marchas e invasões em todo o País para comemorar os 25 anos de existência que se completam este mês. Foi em janeiro de 1984 que o movimento definiu a bandeira de luta pela terra e pela reforma agrária em Cascavel, no Paraná. Em nota divulgada pela coordenação nacional, o MST convoca os militantes para a ação. "Não haverá maneira e lugar melhores para comemorarmos nosso 25 anos do que com lutas nas ruas e ocupações de latifúndios", diz a nota.  As coordenações estaduais do movimento terão autonomia para definir as formas de mobilização. As datas não são anunciadas para evitar uma possível repressão. O objetivo é recolocar a questão agrária em pauta na sociedade, já que, segundo a coordenação nacional, o governo federal abandonou a reforma agrária. "Mais do que nunca temos a convicção de que a única reforma agrária possível é aquela feita pelo povo", diz a nota. O MST considera que a crise econômica internacional expôs a "fragilidade" do projeto neoliberal e favorece a sua luta. "Este momento de fragilidade, se transformado em bandeiras de luta e mobilizações de massa, poderá ser uma oportunidade histórica para a classe trabalhadora." O integrante da coordenação nacional, José Roberto Silva, considera que, nos últimos seis anos, a reforma agrária parou. Embora o governo divulgue ter assentado 448 mil famílias, apenas 150 mil foram efetivamente assentadas, segundo ele. "Há uma grande propaganda sobre a quantidade de assentamentos, mas o que o governo tem feito é o mesmo processo que outros governos fizeram, maquiando números." Em 2008, de acordo com o líder, não foram atingidos 10% da meta estabelecida pelo próprio governo.  "Temos mais de 100 mil famílias acampadas, infelizmente muitas estão há mais de dez anos debaixo da lona." De acordo com Silva, o governo tenta desmobilizar os acampados em troca de política compensatórias, como a bolsa-família, mas mesmo assim elas continuam acampadas e pressionando para que sejam assentadas. "O MST tem evitado que várias pessoas deixem a vida no campo para irem para as grandes cidades, para as favelas." O Incra informou que os números referentes a assentamentos em 2008 ainda não estão disponíveis. Estímulo à luta A crise econômica é um "estímulo" para a luta de classes, de acordo com o principal líder do MST, João Pedro Stédile. Em artigo divulgado pelo movimento, ele afirma que a crise na economia expõe as contradições do capitalismo e cria brechas para a luta. "Abre as possibilidades para sairmos da pasmaceira em que estamos: descenso das massas e hegemonia total das classes dominantes." Segundo ele, a crise que atinge também o agronegócio vai criar um novo cenário para os movimentos sociais. "Estamos diante de uma perspectiva boa, vai mexer, e quando isso acontece, é hora de entrar em campo." Para Stédile, o próximo período poderá abrir um cenário inédito para a esquerda apontar as falhas do sistema capitalista. "Mais do que nunca temos de recuperar métodos de agitação e propaganda e chegar com essa explicação da crise para o povo."

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