MST pede indenização para feridos em massacre

O MST no Pará pediu ontem que o Tribunal de Justiça do Estado estenda a 56 feridos no conflito de Eldorado dos Carajás o pagamento de 1,5 salário mínimo que a juíza da 14ª Vara Cível, Marta Inês Antunes Jadão, determinou que seja efetuado a 12 sobreviventes. "A própria juíza, se quiser, pode reconsiderar sua decisão e ampliar o benefício a todos os feridos que ainda hoje apresentam seqüelas físicas e mentais do episódio", disse o advogado do MST, Walmir Brelaz.Em agosto de 99, Marta Inês concedeu liminar obrigando o governo estadual a pagar a pensão de um salário mínimo para 20 pessoas, que até hoje nada receberam. Na última sexta-feira, Marta Inês suspendeu o atendimento médico e o fornecimento de medicamentos para 44 dos 56 sobreviventes do conflito. "Fiz isso porque desejo acelerar o julgamento de outra ação, a que pede indenização por danos materiais e morais que os mutilados morreram contra o Estado do Pará", explicou a juíza.Para Brelaz, a decisão de Marta Inês foi bem recebida pelo MST, pois apressa o julgamento do mérito do processo, embora tenha deixado de fora muitos mutilados que correm "risco de vida". A juíza entendeu que os sobreviventes que apresentam condições de trabalho podem ser tratados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).Em abril de 1996, a Polícia Militar paraense matou 19 lavradores na Curva do S, em Eldorado dos Carajás, no sul do Estado. O crime completa cinco anos no próximo dia 17 de abril.

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