MST pede a Lula vinculação direta de Incra à Presidência

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) relembrou nesta terça-feira os 11 anos do massacre de Eldorado de Carajás com críticas à "falta" de empenho pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assentar 140 mil pessoas acampadas em margens de estradas. Cerca de 80 militantes, além de crianças de colo, estiveram no anexo do Palácio do Planalto para protocolar uma carta pedindo audiência a Lula, o assentamento imediato dos acampados em barracas de lona e a vinculação direta do Incra à Presidência da República.Marina dos Santos, coordenadora nacional do movimento, disse que há quase dois anos Lula não discute reforma agrária com os líderes sem-terra. O último encontro específico sobre o assunto teria ocorrido em maio de 2005. De lá para cá, as audiências foram para tratar de temas genéricos e contou com a presença de outras entidades sociais. "Só vamos conversar com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e com o Incra depois que o presidente nos receber", disse.Marina foi cuidadosa ao fazer a reclamação. "Ele (Lula) não nos recebeu neste tempo por problema de agenda", minimizou. A coordenadora do movimento deixou claro o desapontamento dos sem-terra com o presidente. É tanto que confeccionaram cartazes com a foto do presidente. O pedido de vincular o Incra à Presidência é uma forma de fortalecer a área de atuação do MST. O governo, no entanto, não demonstra simpatia em levar ainda mais para dentro do palácio o problema dos conflitos de terra.A carta apresenta um total de dez pedidos. O MST reivindica ao governo programas de educação nos acampamentos, assistência técnica, reflorestamento, valorização da Companhia Nacional de Abastecimento, atualização da portaria que mede a produtividade das fazendas e desapropriação de fazendas.Crianças e adultos passaram em frente à rampa do Planalto e desceram a ladeira do Eixo Monumental para acompanhar Marina Santos até o departamento de protocolos do palácio. Os militantes exibiam um cartaz com uma foto de Lula com o boné do movimento. "Por que não sai a reforma agrária?", dizia a inscrição. O MST também fez cartazes para lembrar o massacre de Eldorado de Carajás, lembrando que o assassinato de 19 "mártires", a 17 de abril de 1996, ocorreu durante os mandatos do governador do Pará, Almir Gabriel, e do presidente Fernando Henrique Cardoso, ambos do PSDB.

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