MST pagará multa se invadir fazenda de embaixador

O Movimento dos Sem-Terra (MST) terá de pagar multa de R$ 300 mil se invadir a Fazenda Renascença, do embaixador Paulo Tarso Flecha de Lima, localizada a 20 quilômetros da cidade. A multa foi fixada pelo juiz da 2ª Vara de Unai (MG), João Ecyr Mota de Oliveira, que expediu uma liminar de interdito proibitório que impede as 600 famílias de sem-terra de ocupar a propriedade do embaixador, de 9,1 mil hectares. As famílias estão acampadas desde domingo às margens do Rio São Miguel, a cerca de 4 quilômetros de Urbana.Apesar da decisão judicial, os sem-terra decidiram manter o acampamento no local. "Só vamos sair daqui quando tivermos uma resposta do governo", afirmou o líder do MST, Gilmar de Oliveira. Em dezessete assentamentos, os sem-terra já estão mobilizados e podem, a qualquer momento, se deslocar para Uruana. Oliveira anunciou que o MST poderá ampliar o número de famílias, se o governo não negociar com os manifestantes. Os sem-terra querem negociar com o governo uma pauta com 17 itens, entre os quais o aumento de R$ 9,5 mil para R$ 17,6 mil do crédito de investimento e o parcelamento das áreas já desapropriadas. O MST deu prazo até a tarde de ontem para o governo negociar as reivindicações apresentadas.No domingo, dezessete sem-terra ficaram feridos quando tentavam cruzar a ponte sobre o Rio São Miguel em direção à fazenda do embaixador Flecha de Lima. Entre os sem-terra, a situação mais grave é a de Evandro Teixeira, de 35 anos, que teve duas balas de borracha alojada no rosto. Após ser atendido no hospital de Arinos (MG), a 40 quilômetros do local do conflito, Teixeira foi levado a Brasília, onde submeteu-se a uma cirurgia para retirada dos projéteis. Ele corre o risco de perder a voz. No confronto com os sem-terra, os policiais utilizaram balas de borracha, bomba de efeito moral e gás lacrimogêneo.

Agencia Estado,

28 de março de 2001 | 13h47

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