MST organiza protesto contra ação policial em escola do movimento

Grupo prepara manifestação para este sábado, em frente à instituição em Guararema, que foi alvo nesta sexta-feira de ação policial

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2016 | 16h50

O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) prepara uma série de manifestações em todo o País em resposta à ação da Polícia Civil de São Paulo contra a escola nacional Florestan Fernandes, usada para formação de militantes do movimento, em Guararema (Grande São Paulo), na manhã desta sexta-feira, 4.

O primeiro ato foi marcado para este sábado, na frente da escola, às 15h, e deve contar com a participação de políticos e ativistas simpáticos ao movimento.

“Já na segunda-feira (7), deveremos fazer uma série de manifestações em todo o País”, disse João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do MST.

Segundo integrantes dos sem-terra, 35 policiais civis chegaram à sede da escola por volta das 9h35 em 10 carros e, sem mandado judicial, pularam o portão e “chegaram atirando”, usando munição letal.

A ação faz parte de uma operação deflagrada pela Polícia Civil do Paraná por causa da ocupação de uma fazenda na cidade de Quedas do Iguaçu (PR), onde funcionários teriam sido mantidos em cárcere privado. Aos sem-terra, policiais disseram que os alvos são dois integrantes do movimento cujos pedidos de prisão teriam sido decretados por um juiz paranaense.

No momento da ação policial havia 260 pessoas na escola, entre elas 40 estrangeiros. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) ainda não se manifestou sobre o ocorrido.

O deputado federal Carlos Zaratini (PT-SP) e o deputado estadual José Zico Prado (PT-SP) interviram junto à SSP quando a escola ainda estava cercada pela polícia. À tarde, os dois se reuniram com o secretário de Segurança, Mágino Alves Barbosa, para discutir a operação. Segundo Zaratini, o secretário defendeu a ação da polícia. “Ele disse que foi feito o procedimento normal”, disse o parlamentar.

O deputado petista também falou por telefone com o chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Sergio Westphalen Etchegoyen, que teria manifestado preocupação.

“Disse para ele que essas ações estão acontecendo em todo o Brasil e, além de colocar em risco a vida daquelas pessoas, cria um clima de radicalização. É violência em cima de violência. Ele ficou preocupado”, disse Zaratini.

A liderança do MST também vincula a ação desta sexta-feira ao clima de crescente radicalização nacional. “Isso não é nem decisão política de governo deste ou daquele partido. É uma coisa que parte dos policiais mesmo. É a polícia totalmente fora de controle junto com o Judiciário”, disse João Paulo Rodrigues. 

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