André Dusek/AE
André Dusek/AE

MST ocupa prédio do Ministério do Desenvolvimento Agrário

Cerca de 1,5 mil pessoas participam de ato que integra o chamado 'abril vermelho' para reivindicar avanços na reforma agrária e assentamento de famílias

16 de abril de 2012 | 08h44

Atualizado às 12h

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem-terra (MST) ocuparam o prédio Ministério do Desenvolvimento Agrário, em Brasília, na manhã desta segunda-feira, 16, em protesto para cobrar investimentos em desapropriações de terras no País, segundo informações do MST. Cerca de 1,5 mil pessoas participam da ação, de acordo com cálculo da Polícia Militar.

Cerca de 10 ônibus saídos de vários estados estão chegando a Brasília para reforçar a ocupação no ministério e em outras áreas da Esplanada dos Ministérios, como parte das ações do chamado "Abril Vermelho". A intenção do movimento é colocar na Esplanada cerca de 2 mil manifestantes de 11 estados. No ministério, eles ocupam oito dos nove andares.

Segundo a coordenação do movimento, não há previsão de término da ocupação, que começou às 5h40. No prédio funcionam também a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) e o Ministério do Esporte. O prédio está interditado pelo MST e não há expediente. O MDA ainda não se manifestou e está formando uma comissão negociadora para a desocupação do prédio de forma pacífica. Mas o movimento disse que não vai se retirar enquanto o governo não der uma resposta concreta às reivindicações.

"Daqui só saímos quando o governo sinalizar o atendimento da nossa pauta. Diálogo e promessas nós já temos. Queremos ações concretas", disse José Ricardo Basílio da Silva, da coordenação nacional do MST. Ele informou que o governo Dilma está sendo "um desastre" na área de reforma agrária e disse que o programa Brasil sem Miséria é "uma falácia". "Não se combate a miséria sem resolver a questão fundiária" afirmou o dirigente, acrescentando que o desempenho do governo em 2011 foi o pior dos últimos 16 anos em termos de assentamento.

Segundo Silva, 180 mil famílias estão acampadas em todo o País, aguardando terras para trabalhar. Algumas há mais de 10 anos. O MST reclama principalmente do contigenciamento de 70% dos recursos de custeio do Incra, o que teria prejudicado substancialmente as metas de assentamento de 2012.

No fim de semana, o MST indicou que intensificaria as ações do "abril vermelho" ao promover invasões em propriedades rurais nos Estados de São Paulo, Pernambuco e Mato Grosso do Sul.

Estão previstas mais vinte ocupações de terras em Pernambuco até o final do "abril vermelho", realizado todos os anos em memória dos 19 sem-terra que foram mortos no interior do Pará no dia 17 de abril de 1996, no episódio que ficou conhecido como massacre de Eldorado de Carajás. Em 2002, o então presidente Fernando Henrique Cardoso reconheceu aquela data como o Dia Internacional de Luta pela Terra.

Com informações da Agência Brasil

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