MST ocupa prédio do Incra em Porto Alegre

Outros dois grupos ligados à organização marcharam pelas ruas de outras cidades do Estado

Elder Ogliari, do Estadão,

12 de setembro de 2007 | 22h20

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) invadiu o prédio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Porto Alegre no início da noite desta quarta-feira, 12. A ocupação foi mais um ato da série de manifestações que a Via Campesina, que tem o MST como um de seus integrantes, faz desde terça-feira no Rio Grande do Sul. Outros dois grupos ligados à organização marcharam pelas ruas de Pelotas, na zona sul, e São Luiz Gonzaga, no noroeste do Estado, durante o dia. A nova onda de protestos dos sem-terra e seus apoiadores, como pequenos agricultores, movimentos de desempregados e pastorais sociais da Igreja Católica, contesta a expansão das plantações de eucaliptos para abastecimento da indústria de celulose no Rio Grande do Sul e pede que a terra seja usada para a produção de alimentos. Também reclama do atraso do cronograma de assentamentos do governo federal, que previa entregar lotes a 1,2 famílias e só entregou a 365 neste ano. E quer a desapropriação das fazendas Southall, em São Gabriel, e Coqueiros, em Coqueiros do Sul. "Ocupamos o prédio para pressionar nas negociações", justificou um dos coordenadores do MST no Estado, Mauro Cibulski. O grupo de cerca de 800 pessoas montou barracas no pátio e espalhou colchonetes pelos corredores do prédio de oito andares para dormir à noite, depois de passar o dia numa marcha de 20 quilômetros, de Eldorado do Sul a Porto Alegre, e num ato público diante do Palácio Piratini, sede do governo gaúcho. Uma comissão de representantes do movimento será recebida nesta quinta-feira pelo superintendente em exercício José Rui Tagliapietra. Na zona sul do Estado, as 700 pessoas que haviam acampando na terça-feira diante do terreno do viveiro de mudas de eucaliptos da Votorantim Celulose e Papel em Capão do Leão deixaram o local ao amanhecer desta quarta-feira e foram fazer passeatas e acompanhar uma audiência pública sobre reforma agrária em Pelotas, a 15 quilômetros de distância. Os 150 empregados da empresa, que haviam ficado sem acesso ao trabalho no dia anterior, voltaram às atividades no início da tarde. Ao final do dia, o grupo de manifestantes montou acampamento numa área pública do bairro Tiradentes, na periferia da cidade. No noroeste do Rio Grande do Sul, o grupo de 500 pessoas que iniciou uma marcha de 250 quilômetros, de Bossoroca até Coqueiros do Sul, avançou mais dez quilômetros no segundo dia de caminhada, indo de uma zona rural até a sede do município de São Luiz Gonzaga. Depois de uma passeata pela avenida principal da cidade, os manifestantes montaram acampamento no Parque Centenário para passar a noite. "Nossa caminhada vai denunciar o latifúndio", disse um dos coordenadores do MST estadual, Nilton de Lima. Nos próximos dias as três frentes de manifestantes prometem estar nas estradas gaúchas rumo ao mesmo destino, a Fazenda Coqueiros, em Coqueiros do Sul. A Via Campesina acredita que o governo federal pode desapropriar a área de sete mil hectares, que já foi invadida oito vezes, alegando interesse social. O grupo que está em Porto Alegre pode iniciar sua rota na sexta-feira. O grupo que está em Pelotas deve se deslocar de ônibus para Bagé na segunda-feira e de lá partir a pé para o noroeste do Estado. Nenhuma das caminhadas tem data estabelecida para terminar. "Vamos entrar nas cidades e debater o plantio de eucaliptos e a reforma agrária com movimentos sociais, estudantes e trabalhadores", informa Irma Ostrovski, também da coordenação estadual do MST.

Tudo o que sabemos sobre:
reforma agráriaMSTVia Campesina

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.