MST ocupa obra no Ceará

Cerca de mil integrantes do movimento estão no Canal da Integração, que integra obras de transposição do São Francisco; ação integra série de invasões do 'Abril Vermelho'

Lauriberto Braga, de O Estado de S.Paulo

16 Abril 2013 | 11h53

Fortaleza - O Canal da Integração, construído pelo governo do Ceará para servir de suporte à transposição das águas do Rio São Francisco e de área de irrigação para a agricultura familiar, está ocupado desde a madrugada desta terça-feira, 16, por cerca de mil trabalhadores rurais sem-terra, dentro da série de invasões pelo Brasil chamada de "Abril Vermelho".

 

Os sem-terra acamparam na área, que fica as margens da BR-116, em Pacajus, região metropolitana de Fortaleza. Ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), os ocupantes dizem que a invasão é por tempo indeterminado - eles querem ser recebidos pelo governador do Ceará, Cid Gomes (PSB).

 

No final da manhã, os manifestantes fecharam por uma hora e meia a BR-116 nos dois sentidos, causando um engarrafamento de mais de 15 quilômetros. Os sem-terra fecharam a rodovia federal com queima de pneus. A Polícia Rodoviária Federal agiu e liberou o trânsito por volta das 10h30 sem confronto com os manifestantes, que voltaram para a área do Canal da Integração.

 

O líder do MST no Ceará, Pedro Neto, afirma que o protesto é para o governo estadual cumpra uma pauta de reivindicação apresentada pelo movimento no ano passado. "O Governo não está negociando com a gente e vamos permanecer aqui até que toda nossa pauta seja atendida", afirmou.

 

O MST cobra políticas efetivas de combate à seca, reforma agrária, assentamentos de famílias acampadas por todo o Estado e escolas para os assentamentos. Pedro Neto reclama da burocracia, que segundo ele "vem emperrando o atendimento de nossas reivindicações. Só há promessas superficiais e até agora nada de concreto de atendimento dos nossos pedidos".

 

Entre as mil pessoas participantes da ocupação estão crianças e mulheres. Foram montadas barracas as margens do Canal da Integração, onde os sem terra fazem comida, armaram redes de dormir e se protegem do sol.

 

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