MST ocupa fazenda onde sem-terra foram assassinados

Cerca de 300 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) ocuparam nesta sexta-feira a sede da Fazenda Nova Alegria, em Felisburgo, no Vale do Jequitinhonha mineiro. Os invasores, em sua maioria, pertencem ao acampamento Terra Prometida, na mesma propriedade onde em novembro de 2004 cinco sem-terra foram assassinados, episódio que ficou conhecido como o Massacre de Felisburgo. A coordenação do MST na região informou que a ocupação tem por objetivo pressionar as autoridades federais e estaduais a promover a desapropriação de toda a fazenda e cobrar a punição dos acusados pelas execuções. De acordo com Helenice Pereira da Silva, coordenadora do movimento em Felisburgo, os sem-terra só aceitam negociar com a presença no local de autoridades do Instituto Nacional de Reforma Agrária (Incra), da Ouvidoria Agrária Nacional e do Instituto de Terras (Iter) de Minas. Ela disse que a ocupação foi pacífica e que abrangeu integrantes de outros acampamentos da região. Porém, o gerente da fazenda, Sebastião Cardoso dos Santos, contou no boletim de ocorrência que ele e outros dois funcionários foram surpreendidos por volta das 5 horas por um grupo de aproximadamente 15 homens, armados e encapuzados, que os expulsaram da propriedade. "Eles disseram que tiveram armas apontadas para suas cabeças", informou o soldado Miguel Penchel Neto, da PM de Felisburgo. O gerente apresentou também queixa de furto de dinheiro e arrombamento de sua casa. Conforme a PM, parte do grupo sem-terra chegou à sede da Nova Alegria em um veículo da Cáritas Brasileira.

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