MST ocupa fazenda no RS durante oito horas

Um grupo com cerca de 150 sem-terra manteve a Fazenda São João da Armada sob ocupação durante oito horas, ontem, em Canguçu, na zona sul do Rio Grande do Sul. Os invasores saíram de um acampamento próximo e entraram na área ao amanhecer, anunciando que queriam a desapropriação, pelo governo federal, da fazenda de 1,1 mil hectares, como um dos atos necessários ao cumprimento de acordo que prevê assentamento de duas mil famílias até o final deste ano. No início da tarde, ao saberem que a Brigada Militar estava preparando um pelotão para a desocupação, os sem-terra optaram pela retirada. "Nosso objetivo não era nem o confronto e nem passar por humilhações, mas mostrar que mantemos o processo de luta pela terra", explicou Leonice Flores, integrante do Movimento dos Sem-Terra (MST) no Estado.?ESTADO POLICIALESCO?Representantes de movimentos sociais e sindicais denunciaram ontem em audiência pública à Comissão Especial do Conselho de Defesa da Pessoa Humana, ligada à Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, a criação de um estado policialesco, capaz de monitorar a vida de líderes comunitários, recorrer à tortura psicológica e praticar atos de violência contra manifestantes no Rio Grande do Sul.O ouvidor agrário da Secretaria da Segurança do Rio Grande do Sul, Adão Paiani, disse que não poderia compactuar com a tese de que existe uma ação monolítica do governo do Estado para criminar o movimento social e pediu aos participantes que encaminhem denúncias dos casos, que considera isolados, para investigação. Para o comandante da Brigada Militar, coronel Paulo Mendes, o MST deve saber que o órgão não abre mão de "evitar badernas".

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