MST ocupa fazenda no Rio Grande do Sul

Movimento diz que invasão reforça a pressão que protestantes estão fazendo na sede do Incra em Porto Alegre

Elder Ogliari, da Agência Estado,

09 de setembro de 2009 | 19h48

Cerca de 350 famílias de sem-terra invadiram a Fazenda Santa Marta, em São Gabriel, no sudoeste do Rio Grande do Sul, nesta quarta-feira, 9. O grupo saiu de um acampamento no mesmo município e marchou 15 quilômetros por estradas vicinais até entrar e montar acampamento na propriedade rural.

 

Em comunicado distribuído à imprensa, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) informou que as famílias são as mesmas que foram despejadas da Fazenda Southall no dia 21 de agosto, quando um tiro disparado por um policial militar matou o militante Elton Brum da Silva, de 44 anos.

 

Os invasores também anunciaram que o ato se soma à pressão que outro grupo faz dentro do prédio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Porto Alegre, ocupado desde terça-feira, 8, para convencer o governo federal a retomar o processo de compra da Santa Marta e de outras três fazendas da família Antoniazzi.

 

O Incra desistiu do negócio há cerca de um mês por entender que um emaranhado de disputas judiciais na partilha da propriedade rural de cerca de sete mil hectares poderia emperrar a aquisição por alguns anos. Também informou que não está disposto a rever sua posição, como querem os sem-terra.

 

A autarquia federal também pediu a reintegração de posse de seu prédio, mas teve sua pretensão rechaçada. Em despacho de terça-feira o juiz federal Fábio Hassen Ismael sustentou que a invasão do edifício noticiada nos autos não passa de crime de esbulho possessório que exige pronta atuação policial, a ser requisitada diretamente pelo governo federal, sem intervenção da Justiça, e negou a liminar. O Incra anunciou que vai recorrer ao Tribunal Regional Federal.

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