MST ocupa fazenda e ameaça invadir outras 24 no Ceará

Agricultores ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiram, nesta terça-feira de madrugada, a Fazenda Campestre, localizada no quilômetro 58 da BR-116, em Chorozinho (CE). A invasão foi feita por 200 famílias, que antes estavam acampadas às margens da rodovia, e esperavam havia um ano serem assentadas na propriedade. A ação aconteceu concomitante à visita de João Pedro Stédile, um dos coordenadores nacionais do MST, ao Ceará.De manhã, o dono da fazenda, Eurípedes Maia Chaves, esteve no local acompanhado por policiais militares. O clima ficou tenso, mas não houve confronto. De acordo com Chaves, técnicos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) visitaram a fazenda em outubro do ano passado e, ainda segundo ele, atestaram tratar-se de uma propriedade de 853 hectares produtiva. Aparado pelo laudo, o dono da fazenda pediu então, na Justiça, reintegração de posse.Segundo a coordenação do MST no Ceará, a fazenda é improdutiva e não tem nenhuma função social. A entidade está tentando abrir um canal de negociação com o Incra e a Justiça. Caso isso não ocorra, eles ameaçam invadir outras 24 fazendas no Ceará onde agricultores aguardam acampados na estrada uma posição sobre a situação da terra. Marcelo Matos, da coordenação estadual do MST, informou que, hoje, no Estado, 1.700 famílias estão em acampamentos esperando serem assentadas.As famílias acusam o governo federal de falta de vontade política e de agilidade na questão agrária. A mesma queixa fez Pedro Stédile, durante palestra nesta manhã, em Fortaleza, no auditório da reitoria da Universidade Federal do Ceará (UFC). Na análise dele, o governo federal tem priorizado o agronegócio em detrimento da agricultura familiar. "Agronegócio não é desenvolvimento. É concentração de renda", criticou Stédile. O líder do MST disse ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz um governo de "composição" e que por isso a entidade está em constante conflito com ele.

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