MST ocupa fazenda de senador em represália ao PFL

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) ocuparam hoje a fazenda São João, ex-exportadora de melão, localizada entre os municípios de Mossoró e Baraúna, distante quase 300 quilômetros da capital. A empresa - situada à margem da estrada estadual RN 013, pertence à família do senador José Agripino (PFL). Até as 17horas, Cesar José de Oliveira, superintendente regional do Incra, não havia sido comunicado da ocupação nem recebido qualquer pedido de vistoria na área, feito pelo movimento. Fátima Ribeiro, coordenadora estadual do MST, diz que a intenção do grupo é obter a desapropriação da fazenda. Outro objetivo é político . "Fazer com que o PFL pare de falar mal dos sem-terra e se apresse à reforma agrária neste País", disse a líder. Ela disse que 100 famílias estão acampadas no local. "Esse pessoal não recebe alimentos de ninguém e cada família leva os mantimentos que possui", responde quando se deseja saber de onde vieram os recursos para custear a ocupação. A dirigente reclama que mais de 1.000 famílias que ocupam outra ex-portadora de melão, a Maísa, também localizada na área de Mossoró, não receberam os gêneros alimentícios prometidos pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e pelo governo do Estado. "Existe uma ansiedade entre os trabalhadores de que finalmente, no governo Lula, a reforma agrária saia do papel e nós temos de organizar esse povo para ir para a terra", destaca Fátima Ribeiro ao acrescentar que outras ocupações virão.A invasão é considerada pequena por funcionários da própria fazenda, que colheu a última safra de melão, em 2002. No momento da ocupação, estavam na São João, um dos gerentes e um vigilante. Em 2001, a fazenda-empresa foi vistoriada pelo Incra e considerada produtiva.

Agencia Estado,

30 de julho de 2003 | 18h25

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