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MST ocupa fazenda de Eike Batista em Minas Gerais

O movimento já tinha ocupado propriedades de um ex-assessor de Temer, do ministro Blairo Maggi e do ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira

Lu Aiko Otta e Leonardo Augusto, Especial para O Estado de S. Paulo

26 de julho de 2017 | 11h46

BELO HORIZONTE - Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) ocuparam na madrugada desta quarta-feira, 26, fazenda que pertence à MMX, empresa de Eike Batista, em São Joaquim de Bicas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Cerca de 200 famílias estão no local, conforme o MST. A MMX está em recuperação judicial.

Segundo os Sem-Terra, a ocupação integra a Jornada Nacional de Lutas "Corruptos Devolvam Nossas Terras". Ainda conforme o MST, a propriedade em Bicas encontra-se abandonada depois de ter sofrido "crimes ambientais devido à exploração mineral desordenada".

Em nota divulgada nesta quarta-feira, o MST afirma que Eike, "preso, acusado de corrupção, ele responde ao processo em prisão domiciliar, dentro de sua mansão. Enquanto isso, os trabalhadores brasileiros continuam sofrendo com o desemprego, a falta de moradia e de acesso à terra".

Nesta terça-feira, 25, o MST ocupou propriedades da Argeplan, que tem como um dos sócios João Baptista Lima Filho, que já foi assessor do presidente Michael Temer (PMDB) e da Amaggi, empresa que pertence à família do ministro da Agricultura, Blairo Maggi. Uma fazenda que pertenceria ao ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, também foi invadida.

Maggi disse nesta quarta-feira que a propriedade de sua família invadida por sem-terras é  produtiva, por isso não cabe qualquer pretensão de desapropriação para fins de reforma agrária.  "É uma ação política, que tem dia para começar e dia para terminar " , comentou. Ele negou também que haja trabalho escravo na propriedade. "Se tivesse qualquer resquício disso, Eu não  estaria aqui", afirmou. 

Segundo um dos coordenadores do MST em Minas, Silvio Neto, as últimas ocupações "são apenas o começo". "O Brasil tem o MST disposto a lutar. Com isso vamos garantir nossos direitos, que o golpe tenta nos arrancar", afirmou.

A reportagem tentou obter posicionamento da empresa MMX em relação à ocupação da fazenda pelo MST. A informação no escritório da empresa no Rio de Janeiro foi que a pessoa que teria acesso a Eike Batista estava em férias. A reportagem também tentou falar com o advogado Sérgio Bermudes, que atua para a MMX no processo de recuperação judicial. Bermudes, no entanto, disse não ter sido acionado para trabalhar no caso específico da ocupação da fazenda da MMX em São Joaquim de Bicas.

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