MST ocupa estação de bombeamento de água na Bahia

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) ocuparam na madrugada desta segunda-feira o terreno da estação de bombeamento de água do Projeto Salitre, da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf) situada no município de Juazeiro, norte da Bahia, para reivindicar o assentamento de 800 famílias e cobrar uma definição do governo federal sobre a distribuição dos lotes. É a segunda ocupação em menos de um ano.Cerca de 200 famílias entraram na área da estação onde existem vários equipamentos elétricos e hidráulicos, considerados perigosos pelos técnicos da Codevasf. O canal da irrigação, que está cheio, também se constituí um risco, pois os sem-terra estão acompanhados de várias crianças. Eles entraram carregando lonas, colchonetes, lençóis, panelas e mantimentos, demonstrando que pretendem permanecer longo tempo na estação. Esperam a chegada de mais mil famílias na terça-feira. Grande interesseO MST quer garantir a seleção de seus seguidores nos lotes do Projeto Salitre, construído pelo Ministério da Ação Social, que ainda não definiu o modelo de ocupação e a forma de seleção dos assentados. Previsto para ser concluído em 12 anos, o projeto concluiu apenas a primeira etapa, que corresponde a dois mil hectares irrigados, e tem gerado grande expectativa entre os moradores da região. Além do MST, associações de moradores da região e outras entidades têm demonstrado grande interesse em obter lotes no projeto.O superintendente da Codevasf, Alcides Modesto, é um ex-deputado do PT, que já foi militante dos movimentos populares da região e conhece a fundo o problema fundiário do Vale do Rio São Francisco por ter transitado no outro lado. "Isso tem facilitado o diálogo com o MST", disse, explicando que na invasão anterior conseguiu atender a principal reivindicação dos sem-terra: o encontro de uma comissão da entidade com o ministro Ciro Gomes. "Acredito que eles querem retomar esse contato", disse Modesto, explicando que só pretende chamar a polícia para desocupar o local em último caso. Conforme o superintendente, o governo deve definir ainda este ano que tipo de lavoura será desenvolvida nos lotes e se haverá uma empresa agrícola âncora para administrar o projeto através da Parceria Público Privada (PPP). "Além disso, não se definiu quais as famílias serão assentadas", reafirmou.

Agencia Estado,

13 de março de 2006 | 16h32

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