MST ocupa área produtiva em Pernambuco

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) coordenou hoje a ocupação do engenho de cana-de-açúcar Capim Canela no município metropolitano de Moreno, impediu os agricultores de continuarem trabalhando na plantação do produto, pegou as chaves dos tratores que estavam sendo usados no campo e jogou fora os defensivos agrícolas que encontraram. A ação em área produtiva, que envolveu 280 famílias - segundo estimativa do movimento - foi para pressionar o Incra a acelerar a desapropriação do engenho vizinho, Contra-Açude, de 930 hectares, e considerado improdutivo pelo Incra depois de vistoria realizada no ano passado.O proprietário do Capim Canela, Fernando Vieira de Miranda, informou que iria entrar com ação de reintegração de posse e afirmou ser também proprietário do Contra-Açude, que está sendo objeto de processo de desapropriação. Ele disse ter escritura do imóvel e que o Incra havia considerado a área imprópria para reforma agrária. Ele acusou os integrantes do MST de vandalismo e disse que eles ocuparam casas de moradores e quebraram equipamentos do engenho. O MST nega as acusações e afirma que um caminhão teve o pneu furado por pessoas que não são ligadas ao movimento. Para a coordenadora do MST na área, Cynara de Queiroz, Vieira de Andrade é um "invasor" do Contra-Açude. "Aos poucos ele passou a usar as terras do engenho para plantar cana-de-açúcar, usando muito agrotóxico e expulsando os 96 moradores que vivem no Contra-Açude há cerca de 50 anos, destruindo suas lavouras de subsistência", acusou ela. "O engenho era da Usina Liberdade, que faliu e não indenizou os trabalhadores", acrescentou Reginaldo Martins, da coordenação estadual do MST. "O que se quer é que a indenização seja paga com a terra". O MST-PE realizou um total de 28 ocupações e reocupações neste ano. O movimento tem 169 acampamentos em Pernambuco e coordena 128 assentamentos, segundo dados da assessoria de imprensa do MST em Pernambuco.

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