MST não reconhece onda de invasões promovida por Rainha

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) não reconhece as ações do líder José Rainha Júnior. Oficialmente, o movimento não contabilizou em suas estatísticas as invasões de 13 fazendas realizadas pela parceria entre Rainha e a Central Única dos Trabalhadores (CUT), embora sua bandeira tenha sido usada nas ações. Dirigentes do movimento ouvidos pela reportagem avaliam que o antigo líder age à revelia. "A jornada de lutas programada para todo o Brasil começa em março e ele antecipou por conta própria", disse Valmir Rodrigues Chaves, um dos mais respeitados líderes do movimento no Pontal, sobre Rainha. Chaves contou que Rainha já não tem respaldo do MST. "Na direção regional, estadual e nacional, ele não apita uma vírgula. As lideranças que seguiram o Zé Rainha estão afastadas do MST e já não falam pelo movimento." Para ele, o ex-coordenador do movimento no Pontal deixou de seguir normas. "Ninguém manda nele, nem Jesus (Cristo) ele obedece."Apesar disso, o MST se mobilizou em favor da libertação de Rainha nas vezes em que ele foi preso, como quando foi flagrado com uma espingarda calibre 12 - crime pelo qual foi condenado - e em razão de invasões. O afastamento do núcleo de comando da Cooperativa dos Assentados do Pontal (Cocamp) ocorreu após acusação, não comprovada, de desvio de dinheiro. A gota d´água teria sido a aliança de Rainha com prefeitos da região para criar a Federação dos Municípios com Assentamentos do Pontal do Paranapanema, contrariando o MST.No ano passado, Rainha lançou a mulher, Diolinda Alves de Souza, a deputada estadual, sem consultar o movimento. "Ele é igual o Antonio Conselheiro, só age sozinho", disse, numa referência ao líder espiritual da Guerra de Canudos. Rainha não quis falar sobre o que considera "assunto interno" do MST. O coordenador Wesley Mauch, um dos líderes ligados a ele que, segundo Chaves, foram afastados, disse que continua no MST. Ele afirma que Rainha é um "líder nato". "Hoje, 90% dos acampados e assentados do Pontal estão com ele. Quando foi que outra liderança conseguiu fazer uma mobilização como esta?" O coordenador nacional João Paulo Rodrigues disse estar "desautorizado" a falar sobre o caso.O grupo ligado a Rainha e sindicatos ligados à CUT vão manter a invasão de fazendas no oeste paulista pelo menos até a definição do novo ministro da Reforma Agrária. "Vamos manter as ocupações até que o governo federal abra um canal de negociação", disse o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Sintraf), José Carlos Bossolan, aliado de Rainha. Independentemente da nomeação, seis fazenda da região devem ser ocupadas. "A menos que o Incra decida agir. Só conversa não adianta."

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