MST monta mais um acampamento no Pontal

O Movimento dos Sem-Terra (MST) montou hoje mais um acampamento no Pontal do Paranapanema - a região de São Paulo que apresenta maiores tensões na área da reforma agrária. Instalado às margens da rodovia que dá acesso à cidade de Euclides da Cunha Paulista, no extremo oeste do Estado, este é o sétimo acampamento criado pelo MST na região em menos de dois meses. Mas não deve ser o último. Segundo os líderes dos sem-terra, outros poderão surgir nos próximos dias.A medida do esforço da organização neste sentido pôde ser sentida nos últimos três dias. Na sexta-feira já havia sido montado um acampamento em Teodoro Sampaio, num terreno pertencente à prefeitura da cidade e também localizado na rodovia de acesso. Ontem pela manhã podiam ser contados quase cinqüenta barracos de lona preta naquela área, ao mesmo tempo que outro estava sendo erguido. A maioria dos acampados é formada por moradores de Teodoro.O acampamento de Euclides da Cunha Paulista foi criado a partir da iniciativa de filhos de trabalhadores rurais que já foram assentados no processo de reforma agrária da região do Pontal. "São os agregados", explica Paulo Albuquerque, da coordenação estadual do MST, referindo-se às pessoas que, mesmo já tendo constituído família, continuam morando precariamente com os pais, nos assentamentos, por não ter como comprar o seu próprio lote de terra. Ontem, a organização do movimento estava arregimentando pessoas da cidade para engrossar aquele acampamento.EvoluçãoOs militantes do MST que atuam no trabalho de arregimentação têm argumentado, nas reuniões que promovem com grupos de dez a vinte pessoas, especialmente nas áreas mais pobres das cidades do Pontal, que a reforma agrária no governo de Luiz Inácio Lula da Silva será intensificada. Durante um encontro realizado ontem em Teodoro Sampaio, um desses militantes levava nas mãos um recorte de jornal com a declaração do ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, de que o governo pretende assentar todos os acampados que mostram disposição para o trabalho.Outro motivo para a rápida criação de novos assentamentos é a expectativa de que representantes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) estarão na região nos próximos dias para cadastrar todos os acampados.Os outros quatro acampamentos do MST criados nos últimos dois meses no Pontal estão localizados em Sandovalina, Pirapozinho, Presidente Epitácio e Marabá Paulista. O maior deles é o de Presidente Epitácio, denominado Jahir Ribeiro. Segundo os seus organizadores, 3.900 famílias já estão cadastradas naquela área, também às margens de uma rodovia municipal, na entrada da cidade.

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