MST mobiliza mulheres e invade cinco fazendas no Pontal

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) mobilizou 800 integrantes, a maioria mulheres, e invadiu cinco fazendas no extremo do Pontal do Paranapanema, extremo oeste do Estado. A ação fez parte do "2006 vermelho" desencadeado pelo movimento para pressionar os governos estadual e federal a construírem uma "agenda positiva" para a reforma agrária. A mobilização foi planejada para marcar o Dia Internacional da Mulher. A primeira a ser invadida foi a Fazenda Fraterna, em Santo Anastácio, ocupada por 250 militantes ainda de madrugada. Na seqüência, dois grupos de sem-terra entraram simultaneamente nas fazendas São Camilo e Nossa Senhora das Graças, antiga Figueira, em Presidente Wenceslau. Outro grupo se alojou no interior da Fazenda Santa Luzia, em Teodoro Sampaio. Primeira vezJá com o sol raiando, cerca de 90 mulheres, entre elas Diolinda Alves de Souza, mulher do líder José Rainha Júnior, invadiram a fazenda Santa Carmem, no município Mirante do Paranapanema. Os invasores não encontraram resistência para entrar nas propriedades, consideradas produtivas. Embora a retomada das invasões tivesse sido anunciada pelo MST, os proprietários das terras foram apanhados de surpresa. O movimento realizou, ainda, uma marcha de mulheres em Presidente Prudente e participou do bloqueio da Rodovia Raposo Tavares, em Presidente Epitácio, na divisa de São Paulo com o Mato Grosso do Sul.A invasão da Fazenda Carmem, com 2,2 mil hectares, foi a primeira ação do gênero realizada apenas por mulheres no Estado de São Paulo. O grupo, proveniente de acampamentos da região, passou a noite dormindo em redes e colchonetes estendidas no chão, na sede da antiga fazenda Santa Luzia, adquirida pelo Incra e transformada no pré-assentamento Patativa do Assaré. Muitas mulheres levavam crianças de colo. Representação criminalDiolinda e as sobrinhas Geani Alves de Souza, de 20 anos, e Thaís Cordeiro de Souza, 19, estudantes universitárias, caminhavam junto com as sem-terra. Algumas levavam foices, enxadas e facões. Uma hora depois, as líderes interromperam a marcha em frente à cerca da fazenda, cortada com golpes de facão e alicates. A coordenadora Edna Maria Torriane disse que a área é um latifúndio improdutivo. "Aqui só tem pasto." As mulheres começaram a montar os barracos. "Os homens, hoje, vão para a cozinha", decretou Edna. A dona da fazenda, Francisca Oliveira Passos Furlanete, informada da invasão pelo Estado, disse que se sentia indignada. "É uma propriedade produtiva, com gado, lavoura e benfeitorias, e nunca foi terra devoluta." Ela mandou os peões retirarem o gado que estava na área invadida. O marido, José Furlanete, estava viajando. "Assim que ele chegar vamos pedir justiça." O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia, disse que a entidade vai entrar com representação criminal contra o coordenador do MST na região, Clédson Mendes, por ter anunciado à imprensa as invasões. "Ele disse que cinco fazendas seriam invadidas e cumpriu a promessa de praticar os crimes. A ousadia dessa gente só pode ser atribuída à certeza da impunidade."

Agencia Estado,

08 de março de 2006 | 16h12

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