MST mobiliza 600 famílias na maior invasão em Goiás

Cerca de 600 famílias de sem-terra promoveram a maior invasão do ano em Goiás esta semana. Eles estão instalados desde quarta-feira a 500 metros da sede da Fazenda Palmital/Perdizes, que fica no município de Bom Jardim de Goiás, a 386 quilômetros a oeste de Goiânia, próximo da divisa com Mato Grosso. O dono da propriedade, César Almeida, denuncia que houve roubo de gado. O clima é tenso e há risco de confronto. A fazenda tem quase 11 mil hectares (cerca de 2.272 alqueires) e é uma das maiores propriedades já invadidas por integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) em Goiás. Foi a sexta ocupação promovida pelo grupo este ano no Estado. Os invasores vieram de assentamentos da região. O MST quer a desapropriação da Fazenda Palmital. O argumento é o laudo de uma vistoria ocorrida há cerca de dois anos, que aponta a área como improdutiva. A Polícia Militar enviou homens ao local, mas até o início da noite de ontem não havia a presença de policiais na área. A família do proprietário da fazenda discorda do laudo do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e argumenta que a fazenda é produtiva, por abrigar mais de 6 mil cabeças de gado. Almeida informou que pretende entrar na Justiça com pedido de reintegração de posse. Em Goiânia, o MST promoveu um ato de protesto na porta da sede regional do Incra, em homenagem às vítimas do massacre em Eldorado do Carajás (PA), que aconteceu há oito anos. Os manifestantes estão acampados na porta do instituto desde o início do mês. A Federação dos Agricultores de Goiás (Faeg) manifestou preocupação com a onda de invasões no Estado, que está gerando insegurança entre os produtores, e pediu ao governo federal que tome providências para executar a reforma agrária com Justiça e sem violência no campo.

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