MST mobiliza 2 mil para julgamento do caso Eldorado dos Carajás

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) prometeu hoje lotar a Praça Felipe Patroni, defronte do Tribunal de Justiça do Pará, em Belém, onde começa, na próxima segunda-feira, o julgamento de 149 policiais militares acusados de matar 19 lavradores sem terra em Eldorado dos Carajás, no sul do Estado, no dia 17 de abril de 1996. A caravana com 2.000 sem terra, segundo nota distribuída hoje pelo MST, deve chegar a Belém na sexta-feira à tarde. Eles ficarão na praça acampados em barracas de lona, mas serão vigiados de perto por tropas da Polícia Militar, que destacaram mais de 500 homens para garantir a segurança do julgamento. "Recebemos ordens para não aceitar provocações do MST. Eles podem dizer o que quiserem da gente, mas não vamos permitir que invadam o Tribunal, como invadiram a fazenda do presidente da República", afirmou um oficial que preferiu não ter o nome divulgado. Para o MST, a pressão que a entidade e outros movimentos sociais estão exercendo sobre o Tribunal é uma forma "legítima" de evitar que se consume aquilo que definem como "farsa montada" para absolver os acusados. A proibição de acesso da imprensa nacional e estrangeira ao salão do Tribunal do Júri é vista pelo movimento como uma das estratégias dessa "armação". Acusada pelo MST de ser "despreparada" e de estar agindo com "parcialidade" na condução do julgamento, a juíza da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Belém, Eva do Amaral Coelho, anunciou que vai processar o movimento por "danos morais". Ela desafia: "quero que provem o que estão dizendo". O desembargador aposentado e ouvidor agrário estadual, Otávio Marcelino Maciel, responsável pela pronúncia dos 149 militares, rebate a acusação de que o processo seria todo nulo, feita pelo advogado Américo Leal, defensor dos oficiais da PM. Em entrevista ao Estado, Maciel disse que durante toda a instrução do processo, os advogados ingressaram com dez recursos no TJ do Pará e em Brasília, sendo todos rejeitados. "Isto demonstra que não existem nulidades no processo ou então os advogados foram incompetentes para demonstrá-las perante os tribunais". Hoje pela manhã, o promotor Marco Aurélio Nascimento pedirá à juiza Eva do Amaral a retirada da lista de 21 jurados do nome da funcionária da Assembléia Legislativa, Geni Bezerra, acusada de falsificar um diploma de segundo grau para ingressar no serviço público, em 1990. O processo contra ela, na Justiça Federal, não chegou a ser julgado e foi prescrito no ano passado.

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