MST marcha no Pontal em protesto contra prisão de Rainha

Cerca de dois mil integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) marcharam hoje pelas ruas de Presidente Epitácio, na região do Pontal do Paranapanema, de forma pacífica, para protestar contra a prisão de um de seus principais líderes, José Rainha, e pedir sua libertação. Ao final da marcha, durante uma concentração diante do fórum da cidade, a mulher de Rainha e também líder dos sem-terra, Diolinda Alves de Souza, fez um discurso bastante aplaudido. Ela prometeu mais manifestações até que a Justiça liberte o seu companheiro, dizendo: "Estamos apenas começando. Hoje é Presidente Epitácio, amanhã, Presidente Prudente, depois São Paulo, e depois, qualquer latifúndio que encontrarmos pela frente."Diolinda também insistiu que o MST deve continuar arregimentando famílias da região e convocou os participantes da marcha: "Cada um de vocês é responsável pela tarefa de trazer mais gente para o nosso acampamento." Essa tem sido uma constante nos discursos dos líderes sem-terra, apesar das afirmações do secretário de Justiça do Estado, Alexandre Moraes, de que as famílias que estão chegando agora não serão assentadas.Um dos principais alvos nos discursos feitos durante a caminhada foi o juiz Atis de Araújo Silveira, do fórum de Teodoro Sampaio. Ele determinou a prisão de Rainha e é acusado pelos sem-terra de perseguir a liderança da organização. De acordo com os coordenadores estaduais, nos últimos anos o juiz decretou a prisão de 29 líderes. Destes, 24 foram libertados logo em seguida por meio de liminares obtidas no Tribunal de Justiça, que não considerou necessário o encarceramento dos acusados em processos que tramitam no fórum de Tedodoro Sampaio - e nos quais são acusados principalmente de formação de bando e quadrilha. Dos outros quatro, dois estão presos (Rainha e Filinto Procópio, o Mineirinho) e dois estão foragidos.A marcha percorreu a principal via comercial de Presidente Epitácio - a Avenida Presidente Vargas - e foi observada com indiferença pelos comerciantes, que mantiveram suas atividades normalmente. Várias pessoas nas calçadas identificavam e acenavam para conhecidos que estavam participando do ato com o boné do MST. Segundo os coordenadores, a maior parte dos acampados são provenientes de bairros pobres de Presidente Epitácio e cidades da região.

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