MST mantém cerco a usina

PM espera para cumprir ordem de reintegração

Roldão Arruda, Roberto Almeida e Chico Siqueira, O Estadao de S.Paulo

13 de março de 2008 | 00h00

Até ontem à noite, o clima de tensão persistia no canteiro de obras da Usina de Estreito, na divisa entre Tocantins e Maranhão. Militantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e da Via Campesina continuavam ocupando a principal entrada da obra, impedindo a passagem de pessoas e de veículos. Aguardava-se a qualquer momento a intervenção da Polícia Militar do Maranhão - para o cumprimento da ordem judicial de reintegração de posse.A tensão aumentou após um ato de violência na noite de terça-feira. Segundo os acampados, um homem, dirigindo um Uno Fiat, entrou no acampamento e fez vários disparos com revólver. Um deles atingiu na perna o acampado Wellington Silva, que foi hospitalizado.De acordo com a Delegacia de Polícia de Estreito, o autor dos disparos apresentou-se espontaneamente e foi detido. A polícia não confirmou, no entanto, se foi ele quem atingiu Wellington. Até ontem à noite não havia sido aberto inquérito.De acordo com o consórcio responsável pela usina, que tem a Vale entre seus principais sócios, os disparos ocorreram fora do canteiro de obras. Segundo José Renato Ponte, presidente do consórcio, a segurança dos trabalhadores e dos acampados é a principal preocupação da empresa: "Repudiamos qualquer violência."Além da invasão de Estreito, o MAB realizou outros atos para lembrar o Dia de Luta contra as Barragens, que será comemorado na sexta-feira. Na capital paulista, o movimento uniu-se a entidades ambientalistas para a invasão da sede do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em protesto contra a concessão de licença ambiental para a Hidrelétrica de Tijuco Alto, que será construída pelo Grupo Votorantim, na divisa entre Paraná e São Paulo. O grupo de 200 pessoas só deixou o local depois de receber a promessa de que as comunidades da região serão ouvidas.O MST também voltou a agir ontem. Na região de Promissão, interior de São Paulo, seus militantes impediram durante três horas o tráfego na BR-153, reivindicando assentamentos na região.

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