MST libera todos os pedágios ocupados no Paraná

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) desocupou todas as 25 praças de pedágio de rodovias do Paraná que haviam sido invadidas na quarta-feira. Segundo a Associação Brasileira da Concessionárias de Rodovias (ABCR), a última praça desocupada foi a de Mauá da Serra, na área de concessão da Rodonorte. Durante a invasão, os manifestantes permitiram a passagem de usuários sem a cobrança do pedágio.As seis concessionárias de rodovias do Paraná, que controlam ao todo 27 pedágios no Estado, obtiveram na Justiça ordens de reintegração de posse das 25 praças invadidas, porém em apenas quatro foi necessária força policial para a desocupação: em São José dos Pinhais, administrada pela Ecovia, na terça-feira à noite; e nesta quarta-feira, nas praças da Lapa e de Irati, da Caminhos do Paraná, e na de Jacarezinho, da Econorte. As outras 21 foram desocupadas espontaneamente pelo MST antes da chegada dos oficiais de Justiça com os mandados de reintegração de posse.A ABCR não possui ainda um levantamento sobre o prejuízo que as ocupações acarretaram às seis concessionárias que atuam no Estado.Segundo o MST, os objetivos da manifestação, que reuniu cerca de 3 mil pessoas no Estado, eram a denúncia de impunidade no episódio de Eldorado dos Carajás (PA), onde 19 sem-terra foram mortos em 1996, o pedido para que 8 mil acampados sejam assentados no Paraná e um protesto contra o pedágio cobrado nas estradas paranaenses.BR-153Um grupo de 80 pessoas, pertencentes ao acampamento Simon Bolívar, do MST, manteve interditado por aproximadamente duas horas, nesta manhã, o quilômetro 151 da rodovia Transbrasiliana, a BR-153, no município de Promissão. Os manifestantes levaram paus, pneus e varas de bambu, colocaram tudo sobre a pista e atearam fogo. A ação provocou congestionamento de aproximadamente três quilômetros em ambos os lados. A estrada tem grande movimento porque, além do tráfego regional, faz a ligação interestadual.O coordenador da manifestação, que não revelou seu nome, disse que o ato teve duas finalidades: protestar contra a impunidade em relação ao massacre de Eldorado do Carajás, que na quarta fez aniversário de 11 anos, e lutar contra a expansão da agroindústria canavieira que, segundo o MST, é prejudicial ao País.Quando liberou a rodovia, o grupo ocupou a sede regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), localizada ma margem da própria BR-153. Ali protestam contra a lentidão na desapropriação de terras na região, mesma motivação da ocupação da fazenda do Frigorífico Bertin, ocorrida no mês passado. A superintendência regional do Incra, em São Paulo, informou à tarde que já negociava com o grupo.Corte de águaCentenas de integrantes do MST ocuparam, nesta tarde, o escritório da Companhia de Abastecimento de Sergipe (Deso), em Poço Redondo, no sertão sergipano. Os sem-terra protestam contra o corte do fornecimento de água dos moradores e também pelo não fornecimento ao assentamento Jacaré-Curituba, apesar de existir tubulação. O coordenador estadual do MST em Sergipe, Esmeraldo Leal, explicou que os manifestantes só sairão do local quando tiverem uma posição oficial da Deso com relação ao assunto.A ocupação foi a segunda atividade do "abril vermelho", cuja mobilização começou na terça-feira com uma marcha de mais de seis quilômetros, saindo do município de Barra dos Coqueiros até Aracaju. De acordo com Esmeraldo Leal, os sem-terra estão na sede do Deso, "em solidariedade aos moradores de um bairro, para isentá-los da taxa de água. Tem gente que tem apenas uma casinha simples e deve cerca de R$ 1,3 mil só de água", afirmou. Ele disse que essas famílias foram isentas da cobrança de água na época do governo de Albano Franco."E, quando o mandato dele acabou, as cobranças começaram a chegar. Eles querem a isenção porque estão pagando por um produto que não estão consumindo. Das torneiras só sai ar e, não, água", disse. "Eles (moradores) estão protocolando um pedido de posição oficial da Deso central, que fica aqui em Aracaju", contou.A princípio, o MST chegou a ocupar o escritório da Construtora MSN, mas segundo um dos sócios da empresa eles reivindicam a retomada da obra de irrigação do assentamento Jacaré-Curituba, que foi iniciada na última gestão. "Marcelo Déda prometeu para eles que ia dar continuidade ao serviço, que foi paralisado em outubro do ano passado, mas até agora não tomou nenhuma posição. Eles ficaram revoltados e invadiram meu escritório. Conversamos e eles entenderam que a gente não tinha nada a ver com a paralisação da obra e seguiram para a Deso", informou a direção da empresa.Hoje existem no Estado 13,8 mil famílias distribuídas em mais de 100 acampamentos. Sergipe é, proporcionalmente, o Estado em maior número de assentamentos. "Só perdemos para Bahia e Pernambuco. Isso reflete na dificuldade que o Estado tem para fazer a Reforma Agrária", completou Esmeraldo Leal.GoiásO MST coordena uma série de invasões em Goiás com o objetivo de pressionar o governo a agilizar processos de desapropriações e assentamentos. Nos últimos quatro dias foram ocupadas cinco fazendas, em regiões diferentes do Estado, a partir de invasões iniciadas na madrugada de domingo."Estamos intensificando a nossa luta", afirmou Luiz Afonso Arantes, da coordenação nacional do MST. "Chamem do que quiserem, de março ou abril vermelho, mas para nós do MST a mobilização das 4,5 mil famílias que estão acampadas à beira das estradas de Goiás é fundamental para conquista dos nossos objetivos; será um mês intenso de lutas", disse Arantes."O último decreto de desapropriação, de cinco mil hectares visando a reforma agrária em Goiás, foi assinado em dezembro de 2006", disse Arantes.(Com Evandro Fadel, Rubens Santos, Antônio Carlos Garcia, Jair Aceituno)

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