MST libera Estrada de Ferro em Carajás, mas não deixa região

A principal reivindicação do MST é a legalização de cinco fazendas invadidas pelo movimento

Carlos Mendes, do Estadão

18 de outubro de 2007 | 18h12

Fechada por aproximadamente cinco mil pessoas ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) desde a manhã de quarta-feira, a ferrovia de Carajás, em Parauapebas, no sudeste do Pará, foi liberada no final desta manhã, depois que o governo federal decidiu mobilizar cinco ministérios para conversar com os líderes do MST no próximo dia 25, quinta-feira.    "As famílias não vão abandonar o local, apenas permitiremos a passagem dos trens da Vale do Rio Doce. Estamos montando acampamentos na fazenda Palmares I e II, onde ocorreu a interdição", enquanto durar a reunião com o governo, explicou o coordenador estadual do MST, Charles Trocate.   A principal reivindicação do MST é a legalização de cinco fazendas invadidas pelo movimento, além do planejamento para outras áreas já vistoriadas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O último trem da Vale, com carregamento de minério de ferro, passou pelo local 10h45 de quarta-feira, chegando a ser apedrejado pelos manifestantes. Temendo o pior, a empresa decidiu suspender o tráfego pela ferrovia. Segundo a Vale, a invasão provocou a paralisação de 2.700 vagões de carga com 250 mil toneladas diárias de ferro.   O boato de que o Exército estaria se preparando para retirar os invasores à força serviu para tornar ainda mais tenso o clima entre os integrantes do MST. Toras de madeira ficaram atravessadas nos trilhos para evitar a aproximação dos trens, enquanto barracos de lonas eram rapidamente montados sobre a ferrovia. Crianças e bebês eram vistos nos colos de suas mães e poderiam ser usados como escudo humano caso houvesse intervenção policial.   Em nota, a Vale afirma que nada tem a ver com as reivindicações feitas pelos manifestantes, que incluem de legalização de imóveis, celeridade na reforma agrária, doação de cestas básicas até o fim do imperialismo. O MST rebate, dizendo que sua pauta também inclui a suspensão, pela Vale, do fornecimento de minério de ferro para as onze siderúrgicas instaladas no Distrito Industrial de Marabá. Também protesta contra a criação do Distrito de Carajás, onde será implantado um projeto de reflorestamento.

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