MST já tem 750 pessoas em Uruana de Minas

O Movimento dos Sem-Terra (MST) reforçou a mobilização em Aruana de Minas, com mais quatro ônibus lotados de pessoas e mantimentos, para realizar amanhã uma marcha até a fazenda Renascença, do embaixador do Brasil na Itália, Paulo Tarso Flecha de Lima. O número de pessoas no acampamento subiu de 550 para 750, segundo o MST. Um dos coordenadores regionais do movimento, Gilmar de Oliveira, afirmou que as famílias irão caminhar 20 quilômetros, do acampamento até a entrada da fazenda, para realizar uma ?vigília?, até que o governo federal decida receber a comissão dos sem-terra na próxima quarta.Há centenas de pessoas sob barracas de lona, ainda no território do município de Arinos. Do outro lado da ponte de madeira, que tem cerca de 50 metros, no município de Aruana de Minas, dezenas de policiais militares estão monitorando os sem-terra. Há várias viaturas no local, inclusive um microônibus. Oliveira afirmou que o MST está negociando com a polícia para evitar conflitos durante a caminhada de amanhã. Mas o coordenador deixa claro que poderá haver conflito. ?Vamos responsabilizar o governo federal se ocorrerem danos?, disse. ?Estão cerceando nosso direito de ir e vir fechando a ponte.? O MST está acampado na região há nove dias.EmancipaçãoAtrás das manifestações dos sem-terra estão velhos problemas que aos poucos estão sendo resolvidos pelo governo, que cria novos assentamentos mas nem sempre consegue realizar o parcelamento de lotes para as famílias de forma imediata, dificultando o crédito individualizado. Segundo Oliveira, há assentamentos com vários anos de criação que ainda não estão parcelados, o que inviabiliza a distribuição de empréstimos individuais. Oliveira afirmou que o governo chegou a conceder financiamentos para alguns assentamentos ainda não parcelados, mas que muitas famílias não têm acesso a todos os créditos.A manifestação do MST em Minas está associada à ?jornada? de protestos que começam a ocorrer em todo o País, até 17 de abril, data do massacre de Eldorado do Carajás, que resultou na morte de 19 sem-terra, em abril de 1996. Oliveira disse que os sem-terra não acreditam que o governo federal vá atender às reivindicações regionais e nem as nacionais. Na pauta nacional está o aumento dos valores dos créditos para habitação, custeio e investimento. Os sem-terra querem ainda continuar recebendo o dinheiro subsidiado da linha ?A? do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).O governo federal está desde o ano passado realizando um programa de emancipação dos assentamentos, ou seja, transformando-os em unidades de agricultura familiar e liberando créditos com juros baixos. Com a perda do dinheiro subsidiado, o MST acaba perdendo muitos de seus filiados, que param de contribuir e engrossar as manifestações do movimento. Na semana passada, o governo anunciou que só recebe a comissão do MST nesta quarta se as famílias deixarem Aruana de Minas.

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